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domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Irmandade Muçulmana E O Egito

A IRMANDADE MUÇULMANA E O EGITO
por Carla Pola (*)


A IRMANDADE MUÇULMANA



° O assunto, por si só, já pede um cuidado mais apurado, principalmente, por causa da questão religiosa. Afinal, a civilização ocidental é – em sua maioria – cristã (como eu), ou seja, trazemos arraigados valores como solidariedade, tolerância e fraternidade muito presentes em nosso cotidiano.
° Via de regra, o Cristianismo repugna a violência e prepondera a defesa da vida – tanto a nossa como a de outrem. Aprendemos que se deve olhar para o próximo como a nós mesmos, pois somos o “próximo” de outrem, também.
° Bem ou mal, fomos moldados pelas regras dos 10 mandamentos bíblicos e pela LEI DE DEUS, onde JESUS nasceu para nos ensinar – primeira diferença preponderante, pois os orientais têm JESUS apenas como um PROFETA e não como o FILHO DE DEUS. Apesar disso, não somos melhores ou piores que outros irmãos de outras religioes, ao contrário, nos faz respeitá-los em seus credos, assim como desejamos ser respeitados nos nossos.
° Antes de entrar no tema do artigo, é mister esclarecer o que é a “Irmandade Muçulmana”. A “Jamiat al-Ikhwan al-Muslimun” – em tradução literal “Sociedade de Irmãos Muçulmanos” - foi fundada oficialmente na década de 20 e até os anos 30 não se tem registro de qualquer ato deles contra não-muçulmanos.
° Apesar de identificar-se como “Irmandade”, tem por base o fundamentalismo islâmico, se opondo radicalmente aos governantes do Egito, Marrocos, Turquia, etc. Seu mote principal é fazer valer o “próprio entendimento” do Corão (Livro Sagrado), não admitindo qualquer influência ocidental, inclusive retaliando os islâmicos moderados (sufi). Com o advento do Nazismo na Alemanha e seu ódio contra os judeus – com tropa composta de muçulmanos nazistas, fundadores da mesquita de Munique, local de refúgio pós-guerra –, o número de adeptos aumentou, passando de 800 para 200 mil membros em 1938. Alguns de seus adeptos foram membros da SS, ajudando a matar milhoes de judeus, em especial no gueto de Varsóvia. É justamente neste exercício belicoso que nasce o ódio aos judeus e sua consequente perseguição.
° O lema da “Irmandade” se tornou solene: “DEUS é o único objetivo. Maomé o único líder. O Corão a única Lei. A JIHAD (como identificam a GUERRA SANTA) é o único caminho e morrer por Deus através dela é a única esperança”.
° Essa idéia nazista que virou uma segunda índole dentro da “Irmandade” pode ser comprovada pelo depoimento de testemunhas no julgamento de Mounir AL-Moutassadeq em 2002, acusado de participar dos ataques de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas:

A visão de Atta (líder dos terroristas naquele atentando) baseava-se num modo de pensar nacional-socialista. Ele se convencera de que “os judeus” estão determinados a conquistar o domínio do mundo. Ele considerava a cidade de Nova York como o centro da comunidade judaica do mundo todo, esta que, em sua concepção, era o Inimigo Número Um.


° Assim, em pesquisa mais profunda, a percepção do elo entre a “Irmandade” e o Nazismo se mostrará muito próximo. O perigo maior não se faz apenas contra Israel (inimigo nº1), mas contra todo o ocidente.
°  A “Irmandade” atua aproximadamente em 70 países, entre eles, o Brasil. Em cada região possui uma forma ímpar de agir, mas sempre como base a infiltração.
°  No Egito, por exemplo, a “Irmandade” constrói hospitais e escolas para pessoas carentes. Forma líderes políticos infiltrados em sindicatos e movimentos estudantis, pregando o antiamericanismo e o antisemitismo, mostrando-se sempre como “vítimas” da perseguição de ambos. Em outros países do Oriente Médio, criam grupos terroristas como o Hammas, a Jihad Islâmica Egipcia, o Fatah da Organização para Libertação da Palestina (OLP). No resto do mundo atuam nas redes sociais, através do Facebook e Twitter e, definitivamente, seus membros estão espalhados por todo Ocidente.

 
O EGITO


° O ditador egipcio Mubarak se sustentou no poder usando como escudo o perigo emanado da “Irmandade Muçulmana” (fato real). Aos 82 anos, o chefe de Governo queria fazer seu filho, Gamal, seu sucessor.
° Não deu. O povo egípcio deu um basta em 30 anos de ditadura. O resultado das ações populares foi a renúncia de Mubarak. Assumiu o controle político do país ficará temporáriamente a cargo do “Conselho das Forças Armadas”, que assegura que vai conduzir o país na transição para um regime democrático, sem abolir a autoridade civil.
° Portanto, assim sendo, haverá eleição; no momento o favorito já preparado pela irmandade é Mohamed El-Baradei. E é bem aí que mora o perigo! Tendo a “Irmandade” criado o Hamas que domina a faixa de Gaza, hoje fechada para o lado egípcio, como ficará o quadro geopolítico, caso a “Irmandade” venha a vencer as eleições? Respeitarão a democracia a qual o país será conduzido ou dará um golpe nela?
° Essa semana a “Irmandade Muçulmana” foi cantada em prosa e verso pela imprensa mundial com a revolução acontecida no Egito, chamada como baluarte da democracia e da justiça social. Se o caso não fosse tão sério, seria de morrer de rir. Pois uma “Irmandade” que não aceita e respeita seus irmãos islâmicos moderados, cria e mantém grupos terroristas, como pode ser chamada de defensora da DEMOCRACIA e da JUSTIÇA SOCIAL?
° Fato é que nem o povo egípcio sabe o que é Democracia, se revoltou diante de anos de repressão e miséria, a má qualidade de vida. A força da “Irmandade Muçulmana” no Egito não pode e nem deve ser subestimada.
° Diante de tudo isso, a preocupação ocidental também não é pequena, pois está nas mãos dessa parte do mundo o necessário PETRÓLEO. Situação delicada é pouco!
° Nessas horas gosto sempre de lembrar de Winston Churchill:

Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir.”

° Ou...

Se Hitler invadisse o Inferno, eu cogitaria de uma aliança com o Demônio.



(*) Carla Pola, Professora - Tubarão, Santa Catarina, Brasil.

11 comentários:

marcia1907 disse...

Carol excelente texto informativo, com histórico que nem a imprensa publicou.
a irmandade vem sendo tratada com tato pela imprensa inclusive estrangeira. acompanhei a cobetura da cnn e nela nem ex-secretarios militares, embaixadores e experts ousavam prever o que vai acontecer com o egito. a única certeza por enquanto é que o exército egípcio não irá contra os interesses americanos e o temor é justamente com o possível fortalecimento da irmandade .
agora meu filho pediu para lhe perguntar onde ele pode ter mais informações da atuação mulçumana na europa na segunda guerra.

marcia1907 disse...

carla, mil perdões escrevi carol.

Kiko disse...

Uma agradável aula, quem contém um contexto histórico e atual e que em muito nos é distante. Nos faz pensar o quanto pequeno é nossa visão de mundo do que chamamos de globalizado.

Seu conhecimento deveria passar a ser uma serie pois seria muito útil.

Adorei
pataabraço

Sonia disse...

Parabéns, pra minha mana de alma!! Mostrando talento e referência histórica na arte da escrita...muito bom!
Gostei muito da abordagem do assunto e da clareza de opinião. O contraponto da larga divulgação da imprensa sobre a "democracia" egípcia é, pra mim, o melhor...
Adorei, Carlinha. Continue escrevendo! Beijo!

Alexandre - Caçador de iMundos disse...

Só um detalhe: o Fatah é o mais ameno de todos. Ele é o que ainda tenta entendimento pacífico na faixa de Gaza. Mas, ali, ganhou o Hammas.
Não esquecendo do Hizbollah que, segundo historiadores iMundos, é o "PT" do mundo xiita. Considera, o HIzbollah, que os xiitas , povo em sua maioria pobre, são vítimas dos sunitas, em sua maioria ricos, e, por isso, luta contra a opressão dos malvadões da elite. Tb dá escolas, hospitais etc. Mas já delcarou que a luta armada é o único caminho.

Marco Sobreira disse...

Carla, li atentamente o seu artigo, muito bom, com informações históricas importantes. Fica dificil pra mim entender que se possa matar o semelhante em nome de Deus, afinal Ele é único e a vida na verdade o que se tem que preservar a todo custo. Lembremos que para bilhões de pessoas Deus nem existe e apesar de Cristão, confesso aqui que de concreto mesmo temos a vida, o resto é uma questão de fé.
Como médico sei muito bem a diferença entre um corpo com qualquer sopro de vida e um já falecido, a diferença é palpável e chocante, um corpo sem vida não é nada.
No passado os cristãos e suas Cruzadas também cometeram esse erro e a história nos mostra os absurdos cometidos na Inquisição.
O que me parece é que no futuro correremos o risco de uma guerra entre cristãos e mulçumanos o que sinceramente espero não viver para presenciar. Sempre achei que todo radicalismo é burro e espero sinceramente que os moderados salvem esse nosso mundo. O estado laico com respeito a todas as manifestações religiosas e os preceitos cristãos de fraternidade e igualdade é o que tem que ser buscado por todos nós. Parabéns pelo artigo.

Ajuricaba disse...

Excelente artigo. Clareia muito do misticismo que se fez desse evento no Egito e alerta para o que pode vir por aí. Hoje mesmo, os generais já dissolveram o parlamento e muitas fantasias já começaam a se desmanchar. Vou por o link nas Dicas de Tupã.

batvolta disse...

Excelente! Esclarecedor! Mto bem observados os aspectos históricos e étnicos! O fim d uma ditadura é sempre ótimo, mas é fundamental saber o q se esconde por trás disso! Parabens Carla!

Ivson disse...

Ivson
Uma aula de história como poucas. Gostaria de expor a minha ideia sobre os movimentos radicais: A meu ver eles somente surgem e se sustentam em decorrência da miséria, corrupção, violência e falta de perspectivas impostas aos cidadãos por governos como os de Mubarak e outros ditadores também sustendados, como sabemos, pelos interesses dos governos ocidentais.
Se fosse dado ao povo desses países condições dignas de vida, como educação, saúde, moradia, empregos e salários decentes, eles não teriam porque se atirar nos braços desses maníacos radicais.
Mubarak tem uma fortuna estimada de 50 bilhões de reais, enquanto muitos egípcios vivem com menos e 4 reais por dia. Os sheiks árabes perdem milhões de dólares nos cassinos de Mônaco e Las Vegas, enquanto seu povo é analfabeto e por vezes passa fome. Um povo nessa situação não tem nada a perder e é facilmente manipulado pelos movimentos radicais.
Não quero ser o dono da verdade, mas devemos levar em conta quanto esses regimes ditatoriais e corruptos, com o apoio do ocidente,motivo pelo qual eles nos veem como vilões, contribuem para o crescimento dos movimentos radicais.
Novamente parabéns pela excelente aula de história, com muitos fatos que eu realmente desconhecia.
Um abraço

Carlos Alberto disse...

Carla, podemos chamar o excelente texto de Aula Inaugural.
Uma coisa me intriga, e aproveito para pedir que me convença sobre a força da Irmandade e sobre Mohamed El-Baradei. Segundo um egípcio radicado no Brasil, professor da USP - se não me engano -, a Irnandade não teria 5% dos votos numa eleição, e, sabe-se agora, não lançará candidato. Seria El-Baradei um farsante a enganar os 95% do eleitorado que não votariam em candidato da Irmandade?
Meus cumprimentosb e desejos de muita inspiração.

Carla Pola disse...

Prezado Carlos Alberto

Em primeiro lugar não tenho a pretensão de convencer ninguém. O que relatei são fatos, não suposições.

Mas levando em consideração sua colocação é sempre é bom lembrar que a região detém o PETRÓLEO, mas é preciso vendê-lo, Por que você acha que o Rei da Jordânia acende vela para os dois lados??? Portanto, obviamente a "Irmandade Muçulmana" sabe disso, pois também se alimenta dele. É preciso acalmar o mercado, principalmente!
Aumentemos a porcentagem desse professor de 5% para 15% a 20% na pior das hipóteses. Leve em consideração que também há cristãos por lá, mas não esqueça da infiltração diária e o populismo benemérito da "irmandade" no Egito! Para um povo que vive na miséria, com má qualidade de vida, nem sabe o que é Democracia, a religião islâmica é dominante,o antiamericanismo real enfim, abre-se um quadro favorável sim à Irmandade, por isso a tática da mesma no Egito é outra! (Dá certo aqui no Brasil, imagina lá!).
Também li que El-Baradei não será candidato. Porém não esqueça que as eleições no Egito estão marcadas para setembro e até lá, muita água passará por debaixo da ponte!
O mundo de certa forma está se espertando em relação a "Irmandade", ela sabe disso também!
Portanto, na minha opinião, muita calma nessa hora! Pode ser que nessa eleição a "Irmandade" não lance candidato, pode! Mas fique certo que já estarão preparados para a outra que virá!
O mundo vive tempos difíceis!!
De qualquer forma eu jamais confio na palavra de quem cria e ajuda grupos terroristas! Em todo caso, aguardemos..

Beijocas
Carla

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