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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Olhando Belém...

OLHANDO BELÉM...
Na postagem anterior, ouviram uma paraense CANTAR a poesia e a música paraense. Com BOM DIA, BELÉM!, Lucinha Bastos nos mostrou o que sente um paraense - de fato ou de coração - quando está longe desta terra encantada.
Agora, vamos mudar a roupagem, mas não o tom. Vou apresentar um "caboco" que vai ensinar o que e SENTE quem chega por aqui de visita... Mas primeiro vamos apresentar este figuraça:
CELSO VIÁFORA é compositor, intérprete, violonista e arranjador paulistano, iniciou seus estudos de formação musical na Fundação das Artes de São Caetano do Sul e, posteriormente, fez o curso de arranjo com o maestro Nélson Ayres no Conservatório do Brooklin. Durante os primeiros anos, venceu festivais, escreveu trilhas para teatro, percorreu o Brasil e chegou, inclusive, a emplacar um sucesso que as rádios e Tvs dos principais centros do País nunca executaram: “NÃO VOU SAIR”, gravada inicialmente por Nilson Chaves e que, hoje, possui mais de uma dezena de gravações independentes, tornou-se um hit inicialmente em Belém do Pará, Manaus e Macapá e, depois disso, percorreu o Brasil nas vozes dos cantores da noite, dos cantadores amadores, dos amantes de música; repetindo, espontânea e estranhamente nos anos 80 e 90, a trajetória dos grandes sucessos do início da era do rádio: tempos onde não a intensidade da campanha de marketing da gravadora mas a qualidade e a, natural, aceitação pública da canção é que faziam o diferencial entre o sucesso e o fracasso.
Enfim, respeitado pelos maiores músicos brasileiros (como prova a profusão de “feras” que participaram da gravação dos seus seis discos de carreira), admirado por artistas consagrados, Viáfora, mesmo sem ter tido o apoio de uma grande gravadora, conquistou o seu espaço dentro da Música Popular Brasileira contemporânea graças à qualidade, peculiaridade e força da sua obra.
É um desses poucos artistas de quem, depois de ouvir algumas de suas dezenas de músicas, pode-se dizer, com a boca cheia, tratar-se de alguém que construiu uma obra densa e comovente. Popular e, sobretudo, brasileira.

Gente boa, certo?... Como se diz no Pará, o cara é PAI D'ÉGUA!
E vejam como ele RETRATA um início de "namoro" com Belém!... Agora não tem mais jeito: XONOU!
Tudo bem que ESTE presente é velho, mas é SUUUCEEESSOO!
PARABÉNS, BELÉM!!!!

OLHANDO BELÉM
Composição: Celso Viáfora
Voz: Nilson Chaves


O sol da manhã rasga o céu da Amazônia
e eu olho Belém da janela do hotel
as aves que passam fazendo uma zona
mostrando pra mim que a Amazônia sou eu
Que tudo é muito lindo
é branco, é negro, é índio

No Rio Tietê mora a minha verdade
Sou caipira, sede urbana dos matos
Um caipora que nasceu na cidade
Um curupira de gravata e sapato
Sem nome, sem dinheiro
Sou mais um brasileiro


Olhando Belém enquanto uma canoa desce o rio
e um curumim assiste da canoa um Boeing riscando o vazio
eu posso acreditar que ainda dá pra gente viver numa boa
os rios da minha aldeia são maiores que os de Fernando Pessoa

Molhando meus olhos de verde-floresta
sentindo na pele o que disse o poeta
eu olho o futuro e pergunto pra insônia
será que o Brasil nunca viu a Amazônia?

E vou dormir com isso
Será que é tão difícil?

FELIZ IDADE, BELÉM!!

FELIZ IDADE, BELÉM!!

A minha aldeia é aqui!
Os meus sentidos estão interligados sempre com esse chão...
A minha pele pede constantemente pra sentir o vento que vem do Norte...
A minha família, os meus amigos, meu coração bate forte junto com o coração dessa gente... e é por isso que eu amo essa terra e é por isso que eu vou cantar eternamente com a minha aldeia!
(Lucinha Bastos, cantora paraense)

Comentário MEDIADOR/A
Assino embaixo, dona menina!
São 395 anos de brejeirice, comidas exóticas e um povo que precisa resgatar sua essência sócio-cultural! Mas isso é assunto p'ra outra hora. Agora é o momento de dizer PARABÉNS, BELÉM!
E nada é mais perfeito que dizer isso como os paraenses gostam: com música. Para isso precisamos que a poesia venha nos ajudar a CANTAR a nossa SANTA MARIA DE BELÉM DO GRÃO PARÁ!
Aos que ainda não a conhecem, percebam a letra que descreve os encantos desta terra que hoje amanheceu mais "sábia que toda a ciência da terra" e "mais terra e mais dona do amor" de quem aqui vive, e - principalmente - de quem anda distante.




BOM DIA, BELÉM!
Composição: Edyr Proença/Adalcinda Camarão
Voz: Lucinha Bastos


Há muito que aqui no meu peito
Murmuram saudades azuis do teu céu
Respingos de ausência me acordam
Luando telhados que a chuva cantou
O que é que tens feito
Que estás tão faceira
Mais jovem que os jovens irmãos que deixei
Mais sábia que toda a ciência da terra
Mais terra, mais dona do amor que te dei

Onde anda meu povo, meu rio, meu peixe
Meu sol, minha rêde, meu tamba-tajá
A sesta o sossego da tarde descalça
O sono suado do amor que se dá
E o orvalho invisível na flôr se embrulhando
Com medo das asas do galo cantando
Um novo dia vai anunciando
Cantando e varando silêncios de lar

Me abraça apertado, que eu venho chegando
Sem sol e sem lua, sem rima e sem mar
Coberta de neve, lavada no pranto
Dos ventos que engolem cidades no ar
Procuro o meu barco de vela azulada
Que foi de panada sumindo sem dó
Procuro a lembrança da infância na grama
Dos campos tranquilos do meu Marajó

Belém minha terra, minha casa, meu chão
Meu sol de janeiro a janeiro a suar
Me beija, me abraça que quero matar
A doída saudade que quer me acabar
Sem círio da virgem, sem cheiro cheiroso
Sem a "chuva das duas " que não pode faltar
Cochilo saudades na noite abanando
Teu leque de estrelas, Belém do Pará!
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