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terça-feira, 12 de abril de 2011

O Sílêncio que assusta





O SILÊNCIO QUE ASSUSTA











◊ Com toda razão, a mídia, em seus diferentes campos de atuação, é considerada o quarto poder. Os outros três são muito bem conhecidos, começando pelo executivo, passando pelo legislativo e terminando com o judiciário. Este quarto poder é o que investiga, divulga, pesquisa e atualiza constantemente o cidadão, dando destaque aos atos importantes dos três primeiros, além de prestar um sem-número de serviços públicos, desde informar as novas descobertas da ciência, até as programações culturais, os assuntos sócio-políticos ou focando e agradando o público feminino com as tendências da moda, da culinária (e as inevitáveis fofocas), ou aumentando o estresse da platéia masculina com o onipresente futebol e, um pouco distanciados, muitos outros esportes, individuais ou coletivos. Há milhares de cadernos, canais, estações de rádio e outros para quase todo tipo de ser humano. Com certeza, utilizando cada vez mais recursos moderníssimos, tecnologias de última geração, imagens de todos os ângulos, aquela câmera lenta que desvenda detalhes, outrora imperceptíveis num determinado lance, ou que coloca a cena da tela bem no nosso colo, como no caso da 3D; é assim possível entreter cada vez melhor o assinante, aquele indivíduo que deseja espairecer, relaxar, torcer, esquecer um pouco a dura realidade do mundo em que vivemos.
◊ No entanto, infelizmente, o aspecto essencial, o alimento, a informação de que realmente necessitamos em nossa caminhada, nos é negado rigorosa e pontualmente. Poderá ser que este poder esteja dependendo por demais dos outros três... Talvez encontre-se de rabo preso, perdendo sua cristalinidade, sua transparência, seu espírito de busca incessante pela verdade. Parece mesmo que já está acomodado, que as polpudas verbas de publicidade – pública e privada –, limitaram sua agilidade, acuidade, ética e, assim, o serviço ao público virou serviço ao poder público (e privado).
◊ Não entrarei aqui no mérito da qualidade dos programas exibidos na TV, na superficialidade, na inutilidade de certas revistas ou na violência servida a toda hora e lugar, ao medo que é espalhado no éter e que contamina quem lê jornais, assiste TV ou ouve rádio.
◊ O que realmente incomoda, o que assusta mesmo é o silêncio, o descaso, a ausência, a invisibilidade. Refiro-me aqui a uma infinidade de assuntos, de técnicas, de recursos disponíveis na Natureza para ajudar a Humanidade em sua caminhada, algo que teimosamente a maioria dos meios, inclusive os que assino regularmente há décadas, insiste em ignorar.
◊ Histórias de superação, de altruísmo, de almas nobres, despertas, compassivas não fazem parte da pauta. Divulgar o sucesso comprovado em estudos de caso de técnicas não invasivas, das terapias espirituais, das curas à distância, da eficácia do perdão ou da EFT, da terapia regressiva, das constelações familiares, das essências florais, da fitoterapia, e de um sem-número de outras aliadas, é praticamente proibido.
◊ Assim, somos todos reféns – como o é o governo – dos laboratórios farmacêuticos, de multinacionais poderosas da indústria alimentícia, de bebidas, de fast-food, que despejam, em nossos corpos, remédios com efeitos colaterais letais, hormônios e fertilizantes; flúor, lítio, alimentos geneticamente modificados, gorduras trans em quantidades absurdas e prejudiciais à saúde.
◊ Imagino que agora pensas que eu surtei, certo? Isso decerto te parece futilidade, contudo é este o ponto, caríssimos. Se questões comprovadas pela ciência não são veiculadas pelas mídia, vais querer que informem ao povo sobre a profundidade de temas mais simples como a corrupção de todos nos dias atuais?
◊ Alôô!... Acorda!
◊ O problema reside no fato de agirmos como se o assunto não fosse importante, que não é da nossa conta, que somos poucos e fracos, que a coisa é grande demais... Que nada podemos modificar... Até quando deixaremos, por exemplo, que os nossos representantes políticos – eleitos através do processo eleitoral – fiquem impunemente agindo sem defender os nossos direitos?
◊ Precisamos urgentemente começar a fazer nossa parte.
◊ Quando precisamos reclamar de algo no Judiciário, necessário se faz contratar um advogado ou defensor público, não é? Estes, então, são tidos como nossos representantes judiciais. Precisam de um instrumento para agir em nosso nome: Procuração.
◊ A questão básica é que, quando achamos que estes não estão nos defendendo direito, arrumamos outro. Então, por quê não agimos igual no que tange ao processo eleitoral?... Será que realmente gostamos de receber, ao final do mês, R$545,00 (quinhentos e   quarenta e cinco reais) ao passo que nossos representantes recebem mais de R$20.000,00 (vinte mil reais) entre salário e mordomias?
◊ Quem pode mais: o patrão ou o empregado?
◊ Quando, finalmente, começaremos a nos posicionar de forma totalmente consciente, conhecendo e valorizando nossos direitos, evitando quando possível o desinteresse tão comum nas pessoas de instrução elevada, mas de alienação política extremada?
◊ Será, realmente, difícil entender que a decisão irresponsável de um interfere na entrega de direitos e na exigência de deveres de outrem?... Não acredito que seja necessária a exigência de sacrifício tamanho para agir com um nível mediano de consciência.
◊ Precisamos ainda fazer e exigir mais, muito mais.
◊ Refiro-me ao descaso, ao desconhecimento do que acontece com teu vizinho, ou mesmo teu amigo.
◊ O cúmulo do desrespeito e da hipocrisia da mídia foi ver a jornalista Fátima Bernardes diante da Escola de Realengo... Faça-me o favor!!!
◊ Por quê este quarto poder não se apresenta para defender o povo?... Estou delirando? Se as grandes mídias são feita para o povo e se o povo paga – mesmo sem saber disso – pela transmissão dos programas, o que falta para fazer o que é certo, o que é justo, o que é legal, mas principalmente, o que é moralmente ético?
◊ Assassinaram Tim Lopes? A Vênus Platinada usou de seus recursos, cobrou alguns favores e prometeu algumas vantagens a muitos para verdadeiramente caçar os assassinos do jornalista... Está errado? Claro que não... O pecado mora ao lado. Ajudar os meus é meu DIREITO, socorrer os outros é meu DEVER. Até que se mudem as leis - já que a Carta Magna deste país é remendada de acordo com a moda partidária -, OMISSÃO é crime.
◊ É obrigatório adentrarmos nas outras dimensões, sem medo, desvendando sua aparente complexidade, aprendendo a navegar sutilmente por entre os planos.
◊ Precisamos cerrar fileiras, assumir nossa força inata, exigir o que é de nosso direito, lutar contra a mentira, a corrupção, a inércia, cobrar das mídias as informações indispensáveis, com pesquisas honestas, profundas, abrangentes e multidisciplinares.
◊ É urgente ainda deixarmos de adquirir produtos nocivos, supérfluos; somos nós que sustentamos essas empresas – cujo objetivo declarado é o lucro máximo a qualquer custo –, que nos consideram meras banalidades estatísticas, que levam em conta quantos celulares temos, quanto e onde gastamos em cartões, ou qual é a marca, modelo e ano de nosso automóvel.
◊ Pode parecer delírio, mas o Universo deseja o nosso comparecimento. A mensagem que intuímos é muito forte e clara. Devemos passar de fase – no Playstation da vida – e realizar com esmero nosso plano original, aquele que juramos cumprir para nós mesmos, nossa família e amigos. Os sinais estão por toda parte. Não há como ignorá-los. Está mais que na hora. Não podemos chegar a fazer como os músicos do Titanic, que ficaram tocando seus instrumentos, como se o navio não estivesse afundando.
◊ É o nosso silêncio que assusta.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Moral

A   MORAL

 


Por André COMTE-SPONVILLE(*)





“Vale mais ser Sócrates insatisfeito que um porco satisfeito; vale mais ser Sócrates insatisfeito que um imbecil satisfeito. E se o imbecil ou o porco têm uma opinião diferente, é porque só conhecem um lado da questão: o seu. A outra parte, para fazer a comparação, conhece os dois lados” (JOHN STUART MILL).


° Estamos enganados acerca da moral. Ela não existe basicamente para punir, para reprimir, para condenar. Para isso há tribunais, polícias, prisões, e ninguém os confunde com a moral. Sócrates morreu na prisão, sendo todavia mais livre que os seus juízes. É talvez aqui que a filosofia começa. É aqui que a moral começa, para cada qual, e recomeça sempre: onde nenhuma punição é possível, onde nenhuma repressão é eficaz, onde nenhuma condenação, pelo moenos exterior, é necessária. A moral começa onde nós somos livres: ela é a própria liberdade, quando esta se julga e se dirige.
° Querias roubar aquele disco ou aquela peça de roupa numa loja... Mas há um vigilante que te observa, ou um sistema de vigilância eletrônica, ou tens simplesmente medo de ser apanhado, de ser punido, de ser condenado... Não é honestidade; é calculismo. Não é moral; é precaução. O medo da autoridade é o contrário da virtude, ou é apenas a virtude da prudência.
° Imagina, pelo contrário, que tens esses anel de que fala Platão, o famoso anel de Giges que te torna invisível quando queres... É um anel mágico que um pastor encontrou por acaso. Basta rodar o anel e voltar o engaste para o lado da palma da mão para a pessoa se tornar totalmente invisível, e rodá-lo para o outro lado para voltar a ficar visível... Giges, que era um homem honesto, não soube resistir as tentações a que este anel o submetia: aproveitou os seus poderes mágicos para entrar no Palácio, seduzir a rainha, assassinar o rei, tomar o poder e exercê-lo em seu exclusivo benefício... Quem conta a história n'A República (uma das obras de Platão) conclui que o bom e o mau, ou supostos como tais, não se distinguem senão pela prudência ou pela hipocrisia, ou, dito de outra maneira, pela importância desigual que atribuem ao olhar dos outros ou pela sua maior ou menos habilidade em se esconder... Possuíssem um e outro o anel de Giges e nada os distinguiria:  <tenderiam ambos para o mesmo fim>. Isto é sugerir que a moral não é senão uma ilusão, um engano, um medo disfarçado de virtude. Bastaria podermos tornar-nos invisíveis para que qualquer interdição desaparecesse, e não houvesse senão a procura, por parte de cada um, so seu prazer ou do seu interesse egoístas.
° Será isto verdade? Claro que Platão está convencido do contrário. Mas ninguém é obrigado a ser platônico... Para ti, a única resposta válida está em ti mesmo. Imagina, como experiência de pensamento, que tinhas esse anel. Que farias? Que não farias? Continuarias, por exemplo, a respeitar a propriedade dos outros, a sua intimidade, os seus segredos, a sua liberdade, a sua dignidade, a sua vida? Ninguém pode responder por ti: esta questão só a ti diz respeito, mas diz respeito a tudo o que tu és. Tudo aquilo que não fazes, mas que te permitirias se fosses invisível, releva menos da moral que da prudência ou da hipocrisia. Em contrapartida, aquilo que, mesmo invisível, continuarias a obrigar-te ou a proibir-te, não por interesse mas por dever, só isso é estritamente moral. A tua alma tem a sua pedra de toque. A tua moral tem a sua pedra de toque, pela qual te julgas a ti mesmo. A tua moral? Aquilo que exiges de ti, não em função do olhar dos outros ou desta ou daquela ameaça exterior, mas em nome de uma certa concepção do bem e do mal, do dever e do interdito, do admissível e do inadmissível, enfim, da humanidade e de ti. Concretamente: o conjunto das regras as quais te submeterias mesmo que fosses invisível e invencível.
° Será demasiado? Ou será pouco? Cabe a ti decidir. Aceitarias, por exemplo, se pudesses tornar-te invisível, fazer condenar um inocente, trair um amigo, martirizar uma criança, violar, torturar, assassinar? A resposta só depende de ti; tu, moralmente, não dependes senão da tua resposta. Não tens o anel? Isso não te dispensa de refletir, de julgar, de agir. Se há uma diferença mais do que aparente entre um malvado e um homem bom é porque o olhar dos outros não é tudo, porque a prudência não é tudo. Tal é a aposta da moral e a sua solidão derradeira: toda a moral é em relação ao outro, mas de si para si. Claro que agir moralmente é tomar em consideração os interesses do outro, mas <as ocultas dos deuses e dos homens>, como diz Platão, ou, dito de outro modo, sem recompensa nem castigo possíveis e sem ter necessidade, para isso, de outro olhar que não o próprio. Uma aposta? Exprimo-me mal, pois a resposta, mais uma vez, só depende de ti. Não se trata de uma aposta, mas de uma escolha. Só tu sabes o que deves fazer, e ninguém pode decidir por ti. Solidão e grandeza da moral: só vales pelo bem que fazes e pelo mal que te proibes, sem outro benefício que a satisfação - ainda que mais ninguém saiba disso - de fazer bem.
° É o espírito de Espinosa: <Fazer bem e ter alegria>. É apenas o espírito. Como podemos ter alegria sem nos estimarmos ao menos um pouco? E como nos estimaremos sem nos dirigirmos, sem nos dominarmos, sem nos ultrapassarmos? É a tua vez de jogar, como se diz, mas não é um jogo, e ainda menos um espetáculo. É a tua própria vida: tu és, aqui e agora, aquilo que fazes. É inútil, do ponto de vista moral, sonharmos ser outra pessoa. Podemos esperar a riqueza, a saúde, a beleza, a felicidade... É absurdo esperar a virtude. Ser malvado ou bom, cabe-te a ti escolher, somente a ti: tu vales exatamente o que queres.
° O que é moral? É o conjunto das coisas a que um indivíduo se obriga ou que proíbe a si mesmo, não para aumentar a sua felicidade ou o seu bem estar, o que não passaria de egoísmo, mas para levar em conta os interesses ou os direitos do outro, para não ser um malvado, para permanecer fiel a uma certa idéia da humanidade e de si. A moral responde a questão Que devo fazer? - é o conjunto dos meus deveres, ou seja, dos imperativos que reconheço como legítimos - mesmo que, como qualquer pessoa, ocasionalmente os viole. É a lei que imponho a mim mesmo, ou que deveria impor-me, independentemente do olhar do outro e de qualquer sanção ou recompensa esperadas.
° Que devo fazer? e não: Que devem fazer os outros? Eis o que distingue a moral do moralismo. <A moral, dizia Alain, nunca é para o nosso vizinho>: aquele que se ocupa dos deveres do vizinho não é moral, mas moralizador. Haverá espécie mais desagradável? Discurso mais inútil? A moral só é legítima na primeira pessoa. Dizer a alguém: <Deves ser generoso> não é fazer prova de generosidade. Dizer-lhe: <Deves ser corajoso> não é fazer prova de coragem. A moral só vale para nós mesmos; os deveres só valem para nós mesmos. Para os outros bastam a misericórdia e o direito.
° De resto,quem pode conhecer as intenções, as desculpas ou os méritos dos outros? Moralmente, ninguém pode ser julgado senão por Deus, se este existir, ou por si, e isto faz com que uma existência seja suficiente. Foste egoísta? Foste displicente? Aproveitaste-te da fraqueza de outro, da sua fragilidade, da sua ingenuidade? Mentiste, roubaste, violaste? Tu sabe-lo bem, e este saber de ti para ti é o que se chama consciência, e é o único juiz que importa, pelo menos moralmente. Um processo? Uma multa? Uma pena de prisão? Isso é apenas a justiça dos homens: apenas o direito e a polícia. Quantos malvados não há em liberdade? E quantas pessoas de bem na prisão? Podes estar de bem com a sociedade, e não há dúvida de que isso é necessário. Mas não te dispensa de estar de bem contigo mesmo, com a tua consciência, e esse é o único bem de verdade.
° Haveráa então tantas morais quantos os [?] indivíduos? Não. É este o paradoxo da moral: só é válida na primeira pessoa, mas é-o universalmente, ou seja, para todos os seres humanos (pois qualquer ser humano é um <eu>). Pelo menos, é assim que a vivemos. Na práyica, sabemos bem que há morais diferentes, que dependem da educação que se recebeu, da sociedade ou da época em que se vive, dos meios que se frequenta, da cultura em que nos reconhecemos... Não há uma moral absoluta, ou ninguém lhe tem acesso absolutamente. Mas quando me proíbo a crueldade, o racismo ou o crime, sei também que não se trata somente de uma questão de preferência, a qual dependeria do gosto de cada um. É antes de mais nada uma condição de sobrevivência e de dignidade para a sociedade, para qualquer sociedade, ou seja, para a humanidade ou para a civilização.
° Se toda a gente mentisse, ninguém acreditava em ninguém: nem se poderia sequer mentir (pois a mentira supõe a própria confiança que viola) e qualquer comunicação se tornaria absurda ou vã.
° Se toda a gente roubasse, a vida em sociedade tornar-se-ia impossível ou miserável: deixaria de haver propriedade, não haveria bem estar para ninguém nem haveria nada para roubar...
° Se toda a gente matasse, seria a humanidade ou a civilização que correriam para a sua perda: haveria apenas violência e medo, e seríamos todos vítimas dos assassinos que ser[iamos todos...
° Trata-se apenas de hipóteses, mas que nos levam ao coração da moral. Queres saber se esta ou aquela ação são boas ou condenáveis? Pergunta a ti mesmo o que se passaria se toda a gente se comportasse como tu. Por exemplo, uma criança deita a pastilha elástica [no Brasil, goma de mascar] para o passeio: <imagina, dizem-lhe os pais, que toda a gente fazia o mesmo: que sujidade isso não provocaria, que desagradável seria para ti e para todos!>. Imagina, a fortiori, que toda a gente mentia, que toda a gente matava, que toda a gente roubava, violava, agredia, torturava... Como poderias desejar uma humanidade assim? Como poderias querê-la para os teus filhos? E em nome de quê te poderias pôr a margem do que queres? Tens pois de te proibir o que condenarias nos outros, ou então renunciar a julgares-te pelo universal, isto é, pelo espírito ou pela razão. É este o ponto decisivo: trata-se de nos submetermos pessoalmente a uma lei que nos parece ser vpalida, ou deveria ser válida, para todos.
° Tal é o sentido da famosa fformulação kantiana do imperativo categótico, na Fundamentação da metafísica dos costumes <Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que seja uma lei universal>. Trata-se de agir mais segundo a humanidade que segundo o <querido pequeno eu>, e obedecer mais a razão que as inclinações ou aos interesses. Uma ação só é boa se o princípio ao qual se submete (a sua <máxima>) pode, de direito, ser válido para todos: agir moralmente é agir de tal menaira que possas desejar, sem contradição, que qualquer indivíduo se submeta aos mesmos princípios que tu. Isto retoma o espírito dos Evangelhos, ou o espírito da humanidade (encontramos formulações equivalentes noutras religiões), tal como Rousseau enuncia a <máxima sublime>: faz aos outros como queres que te façam a ti. E retoma também, mais modestamente, mais lucidamente, o espírito de compaixão, de que Rousseau, mais uma vez, exprime a fórmula, <bem menos perfeita, mas mais útil talvez que a precedente: Faz o teu bem como o menos mal que for possível causar aos outros>. Isto é viver, pelo menos em parte, segundo o outro, ou melhor, segundo si mas enquanto se julga e pensa. Completamente só, dizia Alain, universalmente... É a moral em si mesma.
° Será necessário um fundamento para legitimar esta moral? Não é necessário nem forçosamente possível. Uma criança está a afogar-se. Tens necessidade de um fundamento para a salvares? Um tirano massacra, oprime, tortura... Tens necessidade de um fundamento para o combater? Um fundamento seria uma verdade incontestável que viria garantir o valor dos nossos valores: isto permitir-nos-ia demonstrar, incluindo aquele que não os partilha, que nós temos razão e ele está enganado. Mas para isso seria necessário começar por fundamentar a razão, e isso não se pode fazer. Haverá alguma demonstração que possa prescindir dos princípios prévios, que teríamos de começar por demonstrar? E, no caso dos valores, haverá um fundamento que não pressuponha a própria moral que pretende fundamentar? Como demonstrar ao indivíduo que pusesse o egoísmo a frente da generosidade, a mentira a frente da sinceridade, a violência ou a crueldade a frente da doçura ou da compaixão, que está errado, e que efeito poderia tal demonstração ter sobre ele? Que importa o pensamento aquele que só pensa em si? Que importa o universal aquele que só vive para si? Por que há-de respeitar o princípio de não contradição aquele que não hesita em profanar a liberdade dos outros, a dignidade dos outros, a vida dos outros? E, para o combater, de que nos serviria ter primeiramente os meios para o refutar? O horror não se refuta. O mal não se refuta. Contra a violência, contra a crueldade, contra a barbárie, temos menos necessidade de um fundamento que de coragem. E, em face de nós mesmos, menos necessidade de um fundamento que de exigência e fidelidade. Trata-se de não sermos indignos do que a humanidade fez de si e de nós. Para que precisamos de um fundamento ou de uma garantia para tal? Como seriam eles possíveis? A vontade basta, e vale mais.
° <A moral, escrevia Alain, consiste em nos sabermos espírito e, a esse título, absolutamente obrigados; pois tal nobreza impõe uma obrigação. Nada mais há na moral que o sentimento da dignidade>. Trata-se de respeitar a humanidade em si e no outro. O que não acontece sem resistência nem sem esforço. Nem sem combate. Trata-se de recusares em ti a parte que não pensa, ou que não pensa senão em ti. Trata-se de recusares, ou pelo menos superares, a tua própria violência, o teu próprio egoísmo, a tua própria baixeza. De quereres ser homem, ou mulher, e de seres digno disso.
° <Se Deus não existe, diz uma personagem de Dostoievsky, tudo é permitido>. Não é verdade, visto que, crente ou descrente, não te permites tudo: nem tudo seria digno de ti!
° O crente que só respeitasse a moral na esperança do paraíso, ou por medo do inferno, não seria virtuoso: seria apenas uma questão de egoísmo e prudência. Aquele que só faz o bem para a sua própria salvação, diz mais ou menos Kant, não faz o bem e não será salvo. Isto quer dizer que uma ação só é moralmente boa na condição de a fazermos, como também diz Kant, sem nada esperar em troca. É aqui que entramos, moralmente, na modernidade, ou seja, no laicismo (no bom sentido do termo: no sentido em que um crente pode ser tão laico como um ateu). É o espírito das Luzes. É o espírito de Bayle, Voltaire, Kant. Não é a religião que fundamenta a moral; pelo contrário, é a moral que fundamenta ou justifica a religião. Não é porque Deus existe que devo agir bem; é por agir bem que posso ter esperança — não para ser virtuoso, mas para escapar ao desespero — de crer em Deus. Não é porque Deus me ordena qualquer coisa que isso é bom; é por um mandamento ser moralmente bom que posso acreditar que vem de Deus. Deste modo, a moral não impede a crença, até conduz, segundo Kant, a religião. Mas não depende desta nem pode ser reduzida a ela. Mesmo que Deus não exista, mesmo que não haja nada depois da morte, isso não te dispensa de fazeres o teu dever, ou seja, de agires humanamente.
° < Não há nada tão belo e legítimo», escrevia Montaigne, <como o homem fazer bem e de acordo com o que é prescrito>. O único dever é ser humano (no sentido em que a humanidade não é somente uma espécie animal, mas uma conquista da civilização), a única virtude é ser humano, e ninguém pode sê-lo em teu lugar.
° Isto  não substitui a felicidade, e é por isso que a moral não é tudo. Não substitui o amor, e é por isso que a moral não é o essencial. Mas nenhuma felicidade a dispensa; nenhum amor é suficiente: o que quer dizer que a moral é sempre necessária.
° É ela que te permitirá, sendo livremente tu mesmo (em vez de ficares prisioneiro dos teus instintos e dos teus medos!), viver livremente com os outros.
° A moral é a exigência universal, ou pelo menos universalizável, que te foi pessoalmente confiada.
° É quando o homem, ou a mulher, fazem bem que ajudam [?] a humanidade a fazer-se. E tal é preciso: ela tem necessidade de ti como tu tens necessidade dela!


(*) André COMTE-SPONVILLE, filósofo materialista - França.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Uma Semana nada poética

UMA SEMANA NADA POÉTICA
Contribuição de @marcia1907 (*)

“Agora falando sério
Eu queria não cantar
A cantiga bonita
Que se acredita
Que o mal espanta
Dou um chute no lirismo
Um pega no cachorro
E um tiro no sabiá
Dou um fora no violino
Faço a mala e corro
Pra não ver a banda passar”


                                  Esta antiga música de Chico Buarque  me acompanhou a semana inteira, principalmente quando tentava escrever um texto alegre, para cima. Ela expressa exatamente o que estou sentindo por conta do que ocorre no país, no estado e na cidade em que vivo. Realmente eu fiquei com vontade de “dar um chute no lirismo” ao ouvir e ler tanto elogios a uma presidente que simplesmente determinou o  maior arrocho salarial dos últimos 16 anos.  Além disto, confesso que fiquei tentada a dar “um tiro no sabiá” depois de testemunhar o subchefe da Polícia Civil ser preso pela Polícia Federal por receber grana de bandido e ver o chefe da PC, em represália, armar contra o delegado que ajudou na operação da PF. Mas a vontade de fazer “a mala” me veio ao saber que a liminar que meu sobrinho pediu a fim de que o Estado lhe dê o remédio que ele precisa, foi concedida no dia 4 de fevereiro, mas até agora não chegou às mãos dele por conta de todo um processo burocrático. Tudo isto é de matar qualquer poesia...
                     
“Agora falando sério
Eu queria não mentir
Não queria enganar
Driblar, iludir
Tanto desencanto”
                             
                       Bingo! É isto o encanto se perdeu. Se foi por aquela rua em que um juiz deu voz de prisão a uma funcionária do Detran . O “crime” da moça foi ter mandado rebocar o carro de “sua excelência” por conta de atraso no pagamento do IPVA. Não dá para a gente continua se iludindo de que o país progrediu quando em meio a tantas “tenebrosas transações”, boquinhas, e manutenção do poder por velhos oligarcas se quer punir uma avó cuja neta caiu do quarto andar por que estava sozinha em casa. A mãe da menina está internada por uso de crak, o pai é ausente, e a avó sai à noite para estudar. O mesmo estado que não fornece o tratamento para a filha, não disponibiliza creche para a neta pune com prisão e processo a avó que sozinha banca todas elas...

                       Enfim, eu só citei fatos que ocorreram aqui no Rio. Se a gente pensar no que foi o noticiário do país nesta última semana até soa verossímil se dizer que por aqui o “amor-perfeito anda traindo, a sempre-viva, morrendo e a rosa, cheirando mal”. E eu nem quero me lembrar das opções políticas do autor desta música e sim torcer para que a próxima semana me traga algum alento. Afinal, outro poeta já dizia “brasileiro, profissão esperança”...

@marcia1907 Jornalista, Rio de Janeiro - Rio de Janeiro

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Irmandade Muçulmana E O Egito

A IRMANDADE MUÇULMANA E O EGITO
por Carla Pola (*)


A IRMANDADE MUÇULMANA



° O assunto, por si só, já pede um cuidado mais apurado, principalmente, por causa da questão religiosa. Afinal, a civilização ocidental é – em sua maioria – cristã (como eu), ou seja, trazemos arraigados valores como solidariedade, tolerância e fraternidade muito presentes em nosso cotidiano.
° Via de regra, o Cristianismo repugna a violência e prepondera a defesa da vida – tanto a nossa como a de outrem. Aprendemos que se deve olhar para o próximo como a nós mesmos, pois somos o “próximo” de outrem, também.
° Bem ou mal, fomos moldados pelas regras dos 10 mandamentos bíblicos e pela LEI DE DEUS, onde JESUS nasceu para nos ensinar – primeira diferença preponderante, pois os orientais têm JESUS apenas como um PROFETA e não como o FILHO DE DEUS. Apesar disso, não somos melhores ou piores que outros irmãos de outras religioes, ao contrário, nos faz respeitá-los em seus credos, assim como desejamos ser respeitados nos nossos.
° Antes de entrar no tema do artigo, é mister esclarecer o que é a “Irmandade Muçulmana”. A “Jamiat al-Ikhwan al-Muslimun” – em tradução literal “Sociedade de Irmãos Muçulmanos” - foi fundada oficialmente na década de 20 e até os anos 30 não se tem registro de qualquer ato deles contra não-muçulmanos.
° Apesar de identificar-se como “Irmandade”, tem por base o fundamentalismo islâmico, se opondo radicalmente aos governantes do Egito, Marrocos, Turquia, etc. Seu mote principal é fazer valer o “próprio entendimento” do Corão (Livro Sagrado), não admitindo qualquer influência ocidental, inclusive retaliando os islâmicos moderados (sufi). Com o advento do Nazismo na Alemanha e seu ódio contra os judeus – com tropa composta de muçulmanos nazistas, fundadores da mesquita de Munique, local de refúgio pós-guerra –, o número de adeptos aumentou, passando de 800 para 200 mil membros em 1938. Alguns de seus adeptos foram membros da SS, ajudando a matar milhoes de judeus, em especial no gueto de Varsóvia. É justamente neste exercício belicoso que nasce o ódio aos judeus e sua consequente perseguição.
° O lema da “Irmandade” se tornou solene: “DEUS é o único objetivo. Maomé o único líder. O Corão a única Lei. A JIHAD (como identificam a GUERRA SANTA) é o único caminho e morrer por Deus através dela é a única esperança”.
° Essa idéia nazista que virou uma segunda índole dentro da “Irmandade” pode ser comprovada pelo depoimento de testemunhas no julgamento de Mounir AL-Moutassadeq em 2002, acusado de participar dos ataques de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas:

A visão de Atta (líder dos terroristas naquele atentando) baseava-se num modo de pensar nacional-socialista. Ele se convencera de que “os judeus” estão determinados a conquistar o domínio do mundo. Ele considerava a cidade de Nova York como o centro da comunidade judaica do mundo todo, esta que, em sua concepção, era o Inimigo Número Um.


° Assim, em pesquisa mais profunda, a percepção do elo entre a “Irmandade” e o Nazismo se mostrará muito próximo. O perigo maior não se faz apenas contra Israel (inimigo nº1), mas contra todo o ocidente.
°  A “Irmandade” atua aproximadamente em 70 países, entre eles, o Brasil. Em cada região possui uma forma ímpar de agir, mas sempre como base a infiltração.
°  No Egito, por exemplo, a “Irmandade” constrói hospitais e escolas para pessoas carentes. Forma líderes políticos infiltrados em sindicatos e movimentos estudantis, pregando o antiamericanismo e o antisemitismo, mostrando-se sempre como “vítimas” da perseguição de ambos. Em outros países do Oriente Médio, criam grupos terroristas como o Hammas, a Jihad Islâmica Egipcia, o Fatah da Organização para Libertação da Palestina (OLP). No resto do mundo atuam nas redes sociais, através do Facebook e Twitter e, definitivamente, seus membros estão espalhados por todo Ocidente.

 
O EGITO


° O ditador egipcio Mubarak se sustentou no poder usando como escudo o perigo emanado da “Irmandade Muçulmana” (fato real). Aos 82 anos, o chefe de Governo queria fazer seu filho, Gamal, seu sucessor.
° Não deu. O povo egípcio deu um basta em 30 anos de ditadura. O resultado das ações populares foi a renúncia de Mubarak. Assumiu o controle político do país ficará temporáriamente a cargo do “Conselho das Forças Armadas”, que assegura que vai conduzir o país na transição para um regime democrático, sem abolir a autoridade civil.
° Portanto, assim sendo, haverá eleição; no momento o favorito já preparado pela irmandade é Mohamed El-Baradei. E é bem aí que mora o perigo! Tendo a “Irmandade” criado o Hamas que domina a faixa de Gaza, hoje fechada para o lado egípcio, como ficará o quadro geopolítico, caso a “Irmandade” venha a vencer as eleições? Respeitarão a democracia a qual o país será conduzido ou dará um golpe nela?
° Essa semana a “Irmandade Muçulmana” foi cantada em prosa e verso pela imprensa mundial com a revolução acontecida no Egito, chamada como baluarte da democracia e da justiça social. Se o caso não fosse tão sério, seria de morrer de rir. Pois uma “Irmandade” que não aceita e respeita seus irmãos islâmicos moderados, cria e mantém grupos terroristas, como pode ser chamada de defensora da DEMOCRACIA e da JUSTIÇA SOCIAL?
° Fato é que nem o povo egípcio sabe o que é Democracia, se revoltou diante de anos de repressão e miséria, a má qualidade de vida. A força da “Irmandade Muçulmana” no Egito não pode e nem deve ser subestimada.
° Diante de tudo isso, a preocupação ocidental também não é pequena, pois está nas mãos dessa parte do mundo o necessário PETRÓLEO. Situação delicada é pouco!
° Nessas horas gosto sempre de lembrar de Winston Churchill:

Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir.”

° Ou...

Se Hitler invadisse o Inferno, eu cogitaria de uma aliança com o Demônio.



(*) Carla Pola, Professora - Tubarão, Santa Catarina, Brasil.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Profecia Do General

A PROFECIA DO GENERAL

 
 
Impressionante a profecia do General Mourão Filho (1900-1972).
O General morreu em 1972 e, portanto, NÃO conheceu Luís Inácio LULA da Silva.
Assim, veja como o General foi profético quando escreveu em seu livro nos idos de 1970:
 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

"QI" dos Concursados e dos Temporários

"QI" DOS CONCURSADOS E DOS TEMPORÁRIOS
Por Sérgio Alberto Frazão do Couto, Advogado - Belém do Pará.
 Urge solucionar uma situação de grave ilegalidade no funcionalismo público do Estado do Pará: cidadãos que se submeteram a concursos estão sendo preteridos em seus direitos para beneficiar "apadrinhados", nomeados como "temporários", que acabaram se "efetivando". Essa injustiça manifesta - para lembrar Rui Barbosa, eis que essa anomalia perdura há mais de 20 anos - revolta a qualquer pessoa de bem. Será que também revolta os governantes? Pois deveria! Trata-se de uma prática tão ou mais condenável que o nepotismo. Este, pelo menos, tem uma justificativa comovedora: solidariedade de parentesco.

A OAB, em vez de estar lutando pela exclusão das pensões dos ex-governadores - cuja legislação merece, sim, aperfeiçoamentos, para se extirpar certas distorções presentes, mas não de extinção radical. como opinarei oportunamente - deveria estar se dedicando a objetivo muito mais digno e meritório: estancar a sangria mensal de milhões e milhões de reais dos cofres públicos para atender a pagamentos ilegais e imorais de milhares e milhares de servidores públicos "temporários", nomeados para atender a interesses políticos partidários subalternos.

Enquanto os concursados submeteram-se a avaliação dos seus méritos, inclusive pagando elevadas taxas de inscrição (o que, por si só, já exclui os mais carentes, ainda que mais preparados, e deveria ser paga pelo órgão público interessado na seleção), os "temporários" ingressam no serviço público "pela janela" do "QI" - quem indica dos seus padrinhos. Sem qualquer avaliação de seus QI - quociente de inteligência.

É preciso que o Ministério Público, afinal, tome providências civis, penais e administrativas contra os gestores relapsos e/ou coniventes, com vistas a fazer cessar essas distonias morais no serviço público. Tal como fez, meritoriamente, quando exigiu os TACs - termos de ajustes de conduta - de legalidade duvidosa, que seja, mas de induvidoso estofo ético - no intento de evitar a proliferação dessa prática deplorável e diminuir o passivo de constitucionalidade dessas contratações a sombra do "coronelismo". Até porque o "parquet" não ignora a regra constitucional que impõe a aprovação em concurso público como condição "sine qua non" para investidura no serviço público. Excepcionam-se os "cargos de confiança", de livre nomeação e demissão, e os "por tempo determinado" para atender a "necessidade temporária de excepcional interesse público". Nessa expressão polissêmica é que se abrigam os maus administradores - que sabem, mas não praticam, ou que não sabem o que seja planejamento - para cometerem as barbaridades morais das contratações "temporárias", que acabam se tornando "definitivas".

Em troca de votos, pedem nomeações ilegais, escondendo serem transitórias. Os "enganados" pensam ter, afinal, adquirido estabilidade. Constituem famílias e assumem compromissos financeiros. Quando o Judiciário ou os administradores honestos corrigem as ilegalidades, estes são os culpados. Não os gestores enganadores.

No caso da requisição de uma funcionária da Prefeitura de Castanhal por uma das juízas de Ananindeua, para ser a diretora de sua secretaria, sem nem ao menos ter formação jurídica, a conclusão é uma só: genuinamente ilegal! Tabto na ética quanto na estética. Na ética, porque há concursados do TJE, com formação jurídica, a espera de nomeação. Na estética porque o CNJ já reprovou esse tipo de iniciativa no âmbito do TJE-Pa, o que oportuniza vexame nacional para a uma magistratura já tão abalada por condutas isoladas de alguns de seus integrantes.

Corrija-se a tempo!

P.S: Aurélio Correia do Carmo é o único sobrevivente dos quinze colegas de turma do meu pai, Alberto Valente do Couto. Formados em 1945, dessa turma saíram quatro governadores do Pará: Guilhon, Pojucan e Lassance (desembargadores que assumiram interinamente) e Aloísio Chaves, pai do Aloísio Augusto, com quem me formei em 1969 (estudávamos na casa da santa vovó Almerinda, mãe da D. Maria do Faro). Aurélio é advogado. Foi o governador mais jovem da história do Pará e desembargador. Nos seus 80 anos, fui distinguido com a honra de saudá-lo, na AP. Nos seus 89, lamento não ter podido abraçá-lo. Cumprimentei-o por outros meios, que só os iniciados conhecem. Bobbio, em "De Senectude" (Egídio Filho, não te preocupa. Vou te devolver!) tinha razão: "Quanto mais idade, mais sabedoria".


Por Sérgio Alberto Frazão do Couto, Advogado, ex-Presidente da OAB/PA. Texto publicado no Jornal O LIBERAL, Caderno PODER, pag.11, no dia 06/Fevereiro/2011 - Belém do Pará.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Duelo Ao Entardecer


DUELO AO ENTARDECER


 por Fernando Gabeira (*)
em 08 de setembro de 2007





De um ponto de vista simbólico, quarta-feira alguém irá morrer: ou o Senado ou Renan Calheiros. O resultado ainda é imprevisível. Dizem que o governo salvará seu enfant gaté. 

O Ministro da Defesa, que é um elefante na cristaleira, mas celebrado pelos escribas deslumbrados, foi visitar Renan e levar solidariedade.

Trabalho com a hipótese de o governo salvar Renan. Não a prefiro, mas já me acostumei com a realidade que desafia o bom senso. Se isso acontecer, a batalha não estará perdida. Abre-se apenas uma nova fase, bem ao gosto dos opositores que desejam o pior. Uma fase do tipo os deuses enlouquecendo aqueles a quem desejam destruir.

Certas cabeças, se é que podemos chamá-las assim, do governo podem pensar: danem-se a classe média e todos os indivíduos instruídos do país, a elite. Acomodem-se os pobres porque, afinal, estão recebendo seu quinhão de bolsa família e não têm nada que opinar sobre Renan. Faremos o que quisermos, não importam as consequências.

A hipótese de absolvição de Renan com a ajuda do governo trará sobressaltos, possibilidades imprevistas. Lula colocou o PT acima da ética. Ele pode afirmar também que ninguém é mais ético que Renan, pois o senador uniu-se umbelicalmente ao projeto do PT. Ou pode dizer também que ninguém sabe o que aconteceu, quando os fatos se desenrolarem.

Todos nos acostumamos com o desenrolar pacífico da democracia brasileira. Mas o surgimento de uma aliança de quadrilhas, encarando o país com um cinismo revoltante, é um dado perigoso. Vamos rezar pelo bom senso. Vamos trabalhar por ele. Mas, caso a loucura onipotente predomine, os brasileiros terão de admitir que a história não é um piquenique. Ou serão devorados como um sanduíche e bebidos como uma tubaína de Alagoas.

Indivíduos fizeram sua escolha...
..."Os que se calam hoje, com medo de fazer o jogo da direita, deveriam consultar a história, capítulo Stalin. Os momentos de cumplicidade com o crime são doces e suaves. A vergonha vem depois."



(*) Fernando Paulo Nagle Gabeira (Juiz de Fora MG 1941). Escritor, jornalista e político. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1963 e no ano seguinte começa a trabalhar como redator no Jornal do Brasil, onde permanece até 1968. Nesse ano, entra para a clandestinidade e ingressa na luta armada contra a ditadura militar, como integrante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR-8. Em 1969 participa do seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick - na operação é baleado e preso, sendo mais tarde exilado, numa troca de presos políticos pela liberdade do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, também seqüestrado pela guerrilha. Em 10 anos de exílio mora no Chile, Suécia e Itália. Com a Lei de Anistia, volta ao Brasil, em 1979, e publica O que É Isso, Companheiro?, relato de seus anos de clandestinidade e guerrilha. Militando em causas ecológicas e pacifistas, funda, com artistas e intelectuais, o Partido Verde - PV e candidata-se, sem sucesso, a governador do Rio de Janeiro, em 1986, e à Presidência da República, em 1989. Cinco anos depois, elege-se deputado federal, reeleito sucessivamente desde então. Sua obra, de engajamento político, constrói as primeiras análises críticas da luta armada e discute temas como as liberdades individuais e ecologia.


Comentário MEDIADOR/A:
Continuo afirmando que saiu do FUTEBOL e da CAMPEÃ DO CARNAVAL, brasileiro prima pelo desinteresse e pela preguiça mental.
E tem gente que ainda espera por uma INDIGNAÇÃO NACIONAL... O certo é mais uma INDIGNA AÇÃO GOVERNAMENTAL.
Que venha a vergonha aqueles que ainda tem brio.
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