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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tiririca: sobre política, palhaçada e analfabetismo

TIRIRICA: SOBRE POLÍTICA, PALHAÇADA E ANALFABETISMO
por  Eduardo Cunha (*), em  5/Outubro/2010




O palhaço Tiririca, eleito com mais de um milhão de votos e tendo como slogan as frases: "Vote Tiririca, pior que tá, não fica" e "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto", atualmente teve sua candidatura contestada pelo MPE/SP segundo o argumento, levantado primeiramente pela Revista Época, de que faltaria ao Deputado condição de elegibilidade.
Confesso que não entendi muito bem se o candidato seria inelegível por conta de ser analfabeto ou por ser palhaço???? Pelo que me consta parece ser regra que os candidatos sejam ou  analfabetos ou palhaços, quando não, ambos.
Palhaços são tão comuns nas campanhas eleitorais que o horário eleitoral gratuito invariavelmente nos faz rir mais que os programas que se destinam a este propósito. Fico esperando as eleições iniciarem para descobrir os novos personagens humoristas que nos brindarão com suas atuações cômicas geniais dignas de Chaplin e Mazzaropi.
Quem diria, por exemplo, que candidatos tão carrancudos e linha-dura como a Dilma Rousseff teriam uma veia cômica tão forte. Que Didi, Casseta e Planeta, CQC que nada!!! Atualmente nada me fez rir mais que a dama de ferro dizendo pela TV que todas as doações de campanha do PT são registradas.
Política e palhaçada estão tão ligadas quanto as sobrancelhas da Malu Mader.
Como não lembrar então do bizarro Enéas Carneiro, Deputado Federal mais votado da história brasileira, e de seus planos armagedônicos mirabolantes de construção da primeira bomba atômica genuinamente brasileira. Digam se precisamos de desenhos animados para nos fazer rir, quando temos um ratinho "Cérebro" no horário eleitoral, com seus planos de conquistar o mundo???
Para que ir ao circo então, rir da pilhéria dos chimpanzés se o nosso político símio, o macaco Tião, com suas macaquices nos mata de tanto rir, arrancando mais de 400 mil votos de outros tantos palhaços????
Definitivamente, como disse Charles de Gaulle "O Brasil não é um país sério". Talvez por isso o STF não tenha  proibido o humor na campanha. Ora, como ficariam as eleições sem estes comediantes?
Analfabetos então, nem se o diga, são tantos que já perdi a conta. Não entendo o espanto em ter um Deputado Federal analfabeto quando os jornais de vários Estados há poucos dias noticiavam que as eleições de 2010 atrasariam em razão da dificuldade encontrada pelos analfabetos em manusear as urnas eletrônicas. Só no Piauí estes eleitores somavam 40% dos votos, isto sem contar outras unidades da Federação onde este índice é ainda maior, como  o Acre, Maranhão e Alagoas. Segundo o TSE ao todo são  900.898 eleitores nesta condição, contando os analfabetos funcionais. Ora, não são esses os nossos pares?????
É justamente por isso que tal qual a palhaçada sempre achei que a parca escolaridade fosse mérito e não demérito em matéria de política. Pelo menos foi o que o Presidente Lula demonstrou em todos esses anos de vida política, chegando a ser eleito pela revista time um dos 25 líderes mais um influentes do mundo e o homem do ano pelos jornais Le Monde e El Pais, sempre a se vangloriar de sua condição de semi-analfabeto, operário, de homem de nove dedos, etc. Por que então agora falar-se no grau de escolaridade do Tiririca?
Se não fosse assim como outras "celebridades" receberiam tantos votos como os jogadores Romário, e Bebeto, os atores Myrian Rios Sterpan Nercessian e o apresentador Wagner Montes?? E não me venham dizer que o baixinho Romário é letrado, pois pelo jeito, este não sabe assinar nem o próprio nome nos cheques para o pagamento de suas pensões alimentícias. Qual a diferença então em termos no Congresso mulheres-melão e mulheres-pera, se a casa já é composta de tantos homens-laranja???
De mais a mais, para que o palhaço Tiririca precisa saber tanto, se estamos acostumados a ouvir da boca de nossos representantes, quando pegos de calças curtas, que estes não sabem de nada? O Lula não sabia nada do Zè Dirceu, a Dilma não sabia nada da Erenice e por ai vai...
De qualquer maneira, se o palhaço tem de ser sabatinado pelo TRE/SP para sustentar sua candidatura, proponho que os temas sejam consentâneos com a vida pública que este terá daqui para frente. Deve o Deputado, portanto, saber as rudimentares operações de álgebra para poder contar os dólares na cueca que receberá do governo como mensalão e ler e escrever em uma agenda, para melhor registro, as propinas que receberá dos banqueiros, construtoras,etc. Quando este vier a aprender o que faz de fato um deputado. (se já não o sabe, pois tem demonstrado que de burro não tem nada)
Burro ou esperto, com uma coisa temos que concordar com o palhaço: pior do que já está não fica.......


(*) Eduardo Cunha, Advogado - Belém do Pará, Brasil.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Da Eleição da OAB e os Mangás de Minha Infância

DA ELEIÇÃO DA OAB E OS MANGÁS DE MINHA INFÂNCIA

Por Eduardo Sarmento Cunha, em 07/Agosto/2009 (*)
É de causar estranheza aos nossos olhos presenciar o embate feroz dos leões se digladiando. Feras tão majestosas, de naturezas tão inexpugnáveis, quase quiméricas, despindo-se de sua potestade, despojando-se de toda nobreza de seus títulos nobiliárquicos e de seus postos de monarcas, para descer fragilizados à arena, tais quais reles e vulgares chacais em seus covis disputando um parco pedaço de putrefata carcaça. Enquanto entrelaçados em suas refregas sanguinárias e cruentas parecem, à nossa vista, tão vulneráveis que imaginamos que se atirássemos uma pequena pedra faríamos soçobrar todo seu castelo de reis da floresta. Mas não se enganem os leões com suas empáfias tradicionais travam batalhas tão-só uns contra os outros, com os da sua estirpe e diferentemente da fábula bíblica devoram Davis roendo-os até os ossinhos.
Mais interessante é a briga entre piratas e mercenários. Ébrios e fanfarrões batem armas entre si pelos motivos mais tolos possíveis apenas para provarem suas habilidades de espadachins ou para aplacar o tédio dos dias monótonos sem batalhas. Entre pilhérias e manobras acrobáticas de seus floretes acusam-se de trapaças; de cartas marcadas; de furtos de um olho de vidro ou de dobrões de ouro. Quando a lassidão lhes chega, alquebrados, sucumbem e tornam a se abraçar fraternalmente entornando goela abaixo mais um barril de rum, e entre um gole e outro, brindam rememorando as aventuras passadas em outras fragatas, os tesouros repartidos e seguem planejando suas próximas pilhagens.
O que dizer então das hilárias discussões dos congressistas e dos membros da cúpula do Judiciário? Estas eu não perco por nada deste mundo. A imperiosa necessidade de conjugar o que é incompatível, ou seja – os impropérios às honrarias designadas às funções que ocupam – é tão absurda que as frases se tornam risíveis, burlescas. Daí surgem pérolas como, “V.Exa é um ladrão, um babaca”, ou ainda: “V.Exa me respeite, não sou um de seus capangas do Mato Grosso, o senhor destruiu o judiciário brasileiro...". É como se o “V.Exa” preservasse certa dignidade aos adjetivos abjetos que sucedem. Caso retirado o pomposo “Vossa Excelência”, acabariam, em última análise, por macular a própria função, ultrajando a si próprios, uma vez que os ofensores são de igual forma “Vossas Excelências”.
Mesmo os reis e os nobres não estão livres destes arroubos. Perdendo a fleuma, por vezes bradam “porque non te callas?”. Alguns Presidentes, ao seu turno, preferem algo mais contundente como: “vayanse al carajo yankkes de mierda”, esquecendo-se do lema, “hay que endurecer pero sin perder la ternura”que lhes guiava nos tempos de la revolucion.
Não tão diferente das feras, corsários, políticos e nobres é a luta das alianças, ou seja, as famosas brigas de casais. No meio de maridos desesperados flagrados com mulheres espúrias – que até então acreditávamos se tratar apenas de suas secretárias e estagiárias – e esposas enciumadas, neuróticas e a beira de um ataque de nervos, não sabemos para onde correr, que direção tomar? Convidar a quem para aquela festa de inauguração de seu AP? Em quem acreditar? Que partido tomar, o da esposa supostamente traída ou do marido e de sua nova aliança? Sei não, se fugimos de Caríbdis caímos em Cila. Se estiverem separados, amanhã quem sabe haja reconciliação; se estão juntos, quiçá permanecerão. O melhor mesmo parece ser seguir o velho ditado popular e não meter a colher.

Gosto mesmo é da porrada entre mulheres (desculpem o baixo calão, mas a palavra neste caso é insubstituível). Quanto mais barraqueiras e escandalosas, melhor. Sem pudores, achincalham-se, acusam-se de putas, vagabundas, mentirosas, falsas, traíras, e de loiras oxigenadas. No calor do momento, vingativas, entre um puxar e outro de cabelos, em nome de suas vindictas, expõem seus conchavos e suas vidas pessoais aos quatro cantos e em alto e bom som, para quem quiser ouvir. Que aquelazinha, antes de sua ajuda, chafurdava na lama com Cicrano; que a outra sempre fora vista em hotéis de alta rotatividade na companhia de Beltrano, e por ai vai. Passada a peleja, têm vergonha de sair às ruas.

Brigas e embates à parte, tenho saudades mesmo é dos combates travados pelos Samurais, personagens dos mangás que acompanharam minha infância. Nos quadrinhos daquelas páginas amarelecidas lidas de trás para frente, esses bravos e briosos heróis e vilões erguiam suas katanas afiadas apenas para defender com hombridade sua casta, a honra de seus ancestrais e as reivindicações de sua classe. Seus rígidos códigos de honra não permitiam humilhações a seus rivais de armas. Quando desonravam seus ideais, cravavam profundamente o tanto em seus estômagos até que atingisse as entranhas. Eleição da OAB/PA ai, às portas, seria prudente deixarmos de lado as feras, corsários, barraqueiras e etc., e nos mirarmos no exemplo destes nobres paladinos orientais dos mangás. Por falar em mangás, ainda me restaram alguns guardados em uma empoeirada caixa de tralhas velhas. Meus caros senhores, querendo: empresto. Arghhhh


(*) Eduardo Sarmento Cunha, é Advogado em Belém do Pará. Possui o blog Anti-herói Contemporâneo
MEDIADOR/A cantarola: "O TEMPO PASSA... O TEMPO VOA... E A SUCUPIRA BRASILEIRA CONTINUA N'UMA BOAAA..."
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