DUELO AO ENTARDECER
por Fernando Gabeira (*)
em 08 de setembro de 2007
De um ponto de vista simbólico, quarta-feira alguém irá morrer: ou o Senado ou Renan Calheiros. O resultado ainda é imprevisível. Dizem que o governo salvará seu enfant gaté.
O Ministro da Defesa, que é um elefante na cristaleira, mas celebrado pelos escribas deslumbrados, foi visitar Renan e levar solidariedade.
Trabalho com a hipótese de o governo salvar Renan. Não a prefiro, mas já me acostumei com a realidade que desafia o bom senso. Se isso acontecer, a batalha não estará perdida. Abre-se apenas uma nova fase, bem ao gosto dos opositores que desejam o pior. Uma fase do tipo os deuses enlouquecendo aqueles a quem desejam destruir.
Certas cabeças, se é que podemos chamá-las assim, do governo podem pensar: danem-se a classe média e todos os indivíduos instruídos do país, a elite. Acomodem-se os pobres porque, afinal, estão recebendo seu quinhão de bolsa família e não têm nada que opinar sobre Renan. Faremos o que quisermos, não importam as consequências.
A hipótese de absolvição de Renan com a ajuda do governo trará sobressaltos, possibilidades imprevistas. Lula colocou o PT acima da ética. Ele pode afirmar também que ninguém é mais ético que Renan, pois o senador uniu-se umbelicalmente ao projeto do PT. Ou pode dizer também que ninguém sabe o que aconteceu, quando os fatos se desenrolarem.
Todos nos acostumamos com o desenrolar pacífico da democracia brasileira. Mas o surgimento de uma aliança de quadrilhas, encarando o país com um cinismo revoltante, é um dado perigoso. Vamos rezar pelo bom senso. Vamos trabalhar por ele. Mas, caso a loucura onipotente predomine, os brasileiros terão de admitir que a história não é um piquenique. Ou serão devorados como um sanduíche e bebidos como uma tubaína de Alagoas.
Indivíduos fizeram sua escolha...
..."Os que se calam hoje, com medo de fazer o jogo da direita, deveriam consultar a história, capítulo Stalin. Os momentos de cumplicidade com o crime são doces e suaves. A vergonha vem depois."
(*) Fernando Paulo Nagle Gabeira (Juiz de Fora MG 1941). Escritor, jornalista e político. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1963 e no ano seguinte começa a trabalhar como redator no Jornal do Brasil, onde permanece até 1968. Nesse ano, entra para a clandestinidade e ingressa na luta armada contra a ditadura militar, como integrante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR-8. Em 1969 participa do seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick - na operação é baleado e preso, sendo mais tarde exilado, numa troca de presos políticos pela liberdade do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, também seqüestrado pela guerrilha. Em 10 anos de exílio mora no Chile, Suécia e Itália. Com a Lei de Anistia, volta ao Brasil, em 1979, e publica O que É Isso, Companheiro?, relato de seus anos de clandestinidade e guerrilha. Militando em causas ecológicas e pacifistas, funda, com artistas e intelectuais, o Partido Verde - PV e candidata-se, sem sucesso, a governador do Rio de Janeiro, em 1986, e à Presidência da República, em 1989. Cinco anos depois, elege-se deputado federal, reeleito sucessivamente desde então. Sua obra, de engajamento político, constrói as primeiras análises críticas da luta armada e discute temas como as liberdades individuais e ecologia.
Comentário MEDIADOR/A:
Continuo afirmando que saiu do FUTEBOL e da CAMPEÃ DO CARNAVAL, brasileiro prima pelo desinteresse e pela preguiça mental.
E tem gente que ainda espera por uma INDIGNAÇÃO NACIONAL... O certo é mais uma INDIGNA AÇÃO GOVERNAMENTAL.
Que venha a vergonha aqueles que ainda tem brio.