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sábado, 5 de março de 2011

Segredo de Corrupção

SEGREDO DE CORRUPÇÃO
por Frei Betto (*)



O penitente ajoelhou-se no confessionário. Impossível definir-lhe o rosto através da treliça de madeira. Tinha, porém, a voz nítida:
- “Padre, há anos sou corrupto. Agora, estou arrependido.”
O arrependimento viera de um trauma de família: a filha adolescente aparecera com câncer. Ele fizera a promessa de virar a página das maracutaias. Narrou a sequência de notas frias, achaques, negociatas, propinas, paraísos fiscais, doleiros, evasão de divisas, sonegações e outros crimes do mundo em que vivia.
Perguntei-lhe se aceitava um café na casa paroquial. Não interessava a sua identidade. Queria saber como se faz um corrupto. 
Na copa, detalhou como, ao longo dos anos, aprendera a mandar os escrúpulos as favas:
- “Comecei numa empresa privada, para a qual eu fazia contatos com o poder público. No início, eu nem pensava em pegar dinheiro para o meu bolso. O patrão me convenceu de que os negócios têm regras que nem sempre condizem com a lei. E quem não participa vira Francisco de Assis, santo mas pobre".
- “Eu acertava o contrato da obra, oferecia ao representante do poder público comissão de 10 a 15% do orçamento, marcava as cartas da licitação. Aprendi que, assim, certos políticos fazem seu caixa de campanha. O que custa 100 é aprovado para receber 500, e 200 vão para o caixa dois. Tudo sem nota fiscal, intermediação bancária, assinaturas. Vale o dinheiro vivo. Lucra a empresa, que ganha a obra; lucra o empresário, que superfaturou; lucra o político, pois as campanhas estão cada vez mais caras. E tudo pago pelo contribuinte”.
- “Um dia me dei conta de que até nas pequenas coisas eu virara ladrão: carregava para casa caixas de lapiseiras e material de escritório e informática. O melhor eram as viagens, nas quais eu superfaturava contas de hotéis e restaurantes.”
- “Meu único receio residia em meu padrão de vida. Morava em condições muito confortáveis para o meu nível salarial. Não chegava a ter medo, porque as pessoas são ingênuas, não prestam atenção na desproporção do cargo que ocupamos com o luxo de que desfrutamos. Nem sequer cobram dos políticos e dos partidos transparência nos gastos de campanha. É por isso que a reforma política não sai. E se sair duvido que acabe com o financiamento privado de candidaturas e obrigue todos os políticos eleitos a quebrarem seu sigilo bancário.”
- "É muito dinheiro que vai para o ralo da corrupção. E há pessoas honestas que sabem disso, mas fazem vista grossa porque não ignoram que a corda rompe do lado mais fraco. Há também chefes e chefetes que não sujam as mãos com o dinheiro escuso, mas se apropriam das vantagens sociais e políticas das negociatas. Pagam a conivência com o seu silêncio”.
- “Por que não existe um Disque Corrupção no qual o denunciante não tenha que se expor?” – perguntei.
- "Poderia haver uma “caça as bruxas” alimentada por inescrupulosos interessados em manchar a honra de gente séria” – disse ele. - “Mas garanto que, na peneira, muito graúdo não haveria de passar.”
Indaguei do penitente como pretendia agir daqui para frente. Disse que enviara um relatório-denúncia ao Ministério Público e entregara cópias a jornalistas de sua confiança. E decidira se desfazer de tudo aquilo que fora adquirido em negociatas, favorecendo a manutenção de uma clínica para enfermos de baixa renda.
Ele me autorizou a publicar o relato. Dei-lhe a absolvição após meditarmos sobre o encontro de Jesus com o rico Zaqueu, que entregou metade de seus bens aos pobres e quatro vezes mais a quem havia fraudado (Lucas 19,1-10).

(*) Frei Betto é escritor, autor do romance policial “Hotel Brasil” (Ática), entre outros livros.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Para Viver Bem



Para um homem se dar bem com uma mulher, ele precisa aprender apenas quatro letras do alfabeto:


O, B, D, C!


entendeu ou queres que eu desenhe?




quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Que Falta?

O QUE FALTA?


Veja se descobre o que falta antes do fim da leitura!

Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.

Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento

Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente, repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.

Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?

Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.

Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

Descobriu?


sábado, 5 de fevereiro de 2011

A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO

A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO

O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa.

Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:

- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito aquilo comigo. Desejo
tudo de ruim para ele.

Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta calmamente, o filho que continua a reclamar:

- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.

O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou, calado.

Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:

- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou.

O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo.

Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai que espiava tudo de longe, se aproxima do menino e lhe pergunta:

- Filho como está se sentindo agora?
- Estou cansado mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.

O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira,
e carinhoso lhe fala:

- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.

O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Só se conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos.

O pai, então, lhe diz ternamente:

- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você. O mau que desejamos aos outros é como o lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

*Cuidado com seus pensamentos*; eles se transformam em palavras.
*Cuidado com suas palavras*; elas se transformam em ações.
*Cuidado com suas ações*; elas se transformam em hábitos.
*Cuidado com seus hábitos*; eles moldam o seu caráter.
*Cuidado com seu caráter*; ele controla o seu destino

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A BENGALA MÁGICA

A BENGALA MÁGICA

Félix e a esposa Marília eram dois velhinhos muito simpáticos. Apesar de pobrezinhos, eram muito felizes, amigos da Natureza e generosos.

Contentavam-se com o pouco que tinham.

Certo dia, quando estavam sentados à porta de sua casa, avistaram ao longe dois forasteiros que caminhavam vagarosamente. Vinham cansados e muito sujos. Félix levantou-se para os acolher, enquanto Marília foi preparar- lhes de comer. E reparou que um deles se apoiava numa bengala muito engraçada, com duas serpentes gravadas em todo o seu comprimento. As serpentes até pareciam verdadeiras.

- Entrai e repousai, - disse-lhes Félix. A minha esposa já está a preparar-vos alguma coisa para comerdes.
 
O forasteiro, que trazia uma bengala estranha, pousou-a no chão. Para grande espanto de Félix, a bengala começou a saltar e a avançar até que, por si própria, se encostou à parede. E achou aquilo muito estranho, mas não disse nada.
 
Puseram-se a conversar e entretanto Marília trouxe o jantar que esteve a improvisar: uma jarra de leite fresco, um naco de pão duro, uvas, mel e requeijão. Era tudo o que tinha! Os forasteiros, que estavam famintos, devoraram a comida com tanta avidez, que Félix e Marília deram conta de que não seria suficiente para lhes matar a fome.
 
- Que pena ! - disse Marília para o marido. - Se soubesse teria deixado o meu jantar para dar a estes estrangeiros.
 
- Também eu! - respondeu Félix.
 
A bengala, que parecia ter escutado a preocupação deles, pôs-se em movimento e começou a tocar nos alimentos que ainda sobejavam sobre a mesa: o jarro de leite tornou-se muito bonito e brilhante, e muito fresco, o mel, as uvas e o requeijão ficaram com um aspecto extraordinário. E, quanto mais os forasteiros comiam e bebiam, mais a comida aumentava e o jarro se enchia de leite.
 
- É um milagre! - exclamou Félix com os olhos arregalados.
 
- Sim, é um milagre. - respondeu um dos forasteiros.
 
- Mas o milagre ainda maior é a vossa generosidade. Vós destes tudo o que tínheis para nos dar de comer. Nós estamos muito agradecidos. Somos dois magos e, a partir de hoje, vamos fazer com que nunca falte a comida em vossa casa, nem leite fresco no vosso jarro. Quem bater à vossa porta poderá receber a vossa amizade, que tão bem nos soubestes dar.
 
E os dois forasteiros partiram por esse mundo fora. Desde esse dia, Félix e Marília tiveram sempre leite e comida para eles e para quem lhes batia à porta.
 
Entendestes a moral da estória... Ou queres que eu desenhe?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Brilho Sincero






BRILHO SINCERO









 
Quero que você seja feliz
E que nunca esmoreça
Diante das dificuldades...
Quero te ver sorrindo
E te fazer sorrir
Quando as lágrimas algumas vezes
Ocuparem teus olhos...
Quero te fazer companhia
Na hora em que tudo parecer solidão...
Quando tudo for abandonado,
Não quero que te sintas só!
Gostaria de acariciar teus cabelos
Para te dar todo o meu carinho,
Para que durmas com tranqüilidade...
Gostaria de te abraçar
Para te sentires seguro ao meu lado,
Para que não perdesses a força
Para conquistar teus ideais
E teus sonhos...
Gostaria que minhas palavras
Te dessem um novo estímulo
E, que mesmo em silêncio,
Te dissesse mais do que muitas palavras.
Quero te dar
Um lugar tranqüilo de morada,
Para que nada perturbe
A tua Paz!
Se teu olhar perdesse o brilho,
Tiraria a luz suave da Lua
E a teus olhos daria!
Porém, se de algum modo eu falhasse,
Uma coisa pelo menos te daria:
Meu coração!
 

<*>

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Força Das Palavras

 


A FORÇA DAS PALAVRAS

OU

CÓDIGO DE ÉTICA DOS ÍNDIOS
NORTE-AMERICANOS





Levante-se com o Sol para orar. Ore sozinho. Ore com frequência. O GRANDE ESPÍRITO o escutará, se você ao menos, falar!
 
Seja TOLERANTE com aqueles que estão perdidos no caminho. A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza, originam-se de uma alma perdida. Ore para que eles reencontrem o caminho do Grande Espírito.

Procure conhecer-se, por si mesmo. Não permita que outros façam seu caminho por você. É sua estrada, e somente sua! Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você! Trate os convidados em seu lar com muita consideração. Sirva-os com o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.

Não tome o que não é seu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza, ou da cultura. Se não lhe foi dado, não é seu! Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.

RESPEITE os pensamentos, desejos e palavras das pessoas. Nunca interrompa os outros nem os ridicularize, nem rudemente os imite. Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal. Nunca fale dos outros de uma maneira má. A energia negativa que você colocar para fora no Universo, voltará multiplicada PARA VOCÊ !

Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados! Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito. Pratique o OTIMISMO !

A NATUREZA não é para nós, ela é uma parte de nós. Toda a natureza faz parte da nossa FAMÍLIA TERRENAL. As CRIANÇAS são as sementes do nosso futuro. Plante amor nos seus corações e regue com sabedoria e lições da vida. Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que continuem CRESCENDO!

Evite machucar os corações das pessoas. O veneno da dor causada a outros, retornará à você. Seja sincero e verdadeiro em todas as situações. A honestidade é o grande teste para a nossa herança do Universo.

Mantenha-se equilibrado. Seu corpo Espiritual, seu corpo Mental, seu corpo Emocional e seu corpo Físico, todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis. Trabalhe o seu corpo Físico para fortalecer o seu corpo Mental. Enriqueça o seu corpo Espiritual para curar o seu corpo Emocional.

Tome decisões conscientes de como você será e como reagirá. Seja responsável por suas próprias ações. Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros. Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas, especialmente objectos religiosos e sagrados. Isto é proibido.

Comece sendo verdadeiro consigo mesmo. Se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros. Respeite outras crenças religiosas. Não force as suas crenças sobre os outros.

Compartilhe sua boa fortuna com os outros. Participe com caridade.
(CONSELHO INDÍGENA INTER-TRIBAL NORTE AMERICANO)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Consulta Médica



 

CONSULTA MÉDICA







Durante um telefonema com uma amiga, comentei que marcaria meu check-up anual. De repente, ela disse:
— Vou contigo. Marca pra nós duas.
Todo ano é assim. Pelos menos pra quem tem um mínimo de juízo, a visita de rotina aos médicos tem caráter obrigatorio: mastologista, ginecologista, oftalmologista, dentista... Pra mim, a lista é mais extensa, pois tenho que ir ao traumatologista, imunologista e ao dermatologista.
A minha amiga riu e falou que iria num ISTA novo: O DERMATOLOGISTA.
Eu ri e ela me informou que já estava na hora de procurar uns creminhos mágicos para tentar retardar ao máximo as marcas da inevitável entrada nos ENTA.
Sendo sincera, ela entrou gloriosa nesta seita, com direito a uma festa memorável, que durou até as 10h da manhã seguinte. Festa com música ao vivo, família e amigos, fotografias, filmagens e muita música ANOS 80. Realmente foi SENSACIONAL. Na verdade, ela está com tudo em cima. Ninguém podia cantar para ela a frase da Adriana Calcanhoto ‘nada ficou no lugar’.
Entretanto, ela andava de ponta com o espelho da casa dela.
— Mulher, aquele espelho desgraçado resolveu tirar barato com a minha cara. Da noite pro dia, resolveu me transformar de princesa maravilhosa em bruxa. Anda me mostrando coisinhas que nunca haviam aparecido. Uns pontinhos azuis nos tornozelos; pintinhas negras no colo, nos braços; bolinhas vermelhas na bunda... Olheiras profundas...
Pra variar, não contei conversa e cai na gargalhada. O caso merecia uma implicância e eu fui pro ataque.
— Hmm!... Apareceu do nada? Ou será que tu que nunca percebestes os sinais das trevas? Toma cuidado que o espelho mágico não mente.
— Como assim?... Não delira, pô. Tô falando pra você, o idiota resolveu mostrar e pronto. Mas isso não vai ficar assim. Marca o dermatologista e escolhe o melhor.
Bom, eu conheço aquela PRINCESA bem demais, então, lá fui eu marcar as duas consultas. Ficamos em contato e eu fui vendo que ela estava ansiosa e ficando psíca de nervoso. Basta dizer – claro que ela vai ler este texto e querer me dá uns belos tapas – que encarou a consulta como se fosse um encontro bem intencionado, daqueles em que a gente escolhe a roupa íntima com cuidado, que é pra não fazer feio, nem parecer que foi uma escolha proposital.
E eu continuei rindo as pencas dela.
No consultório, ela passou a tagarelar no meu ouvido, enquanto eu ria e fazia sudoku. Em alguns lampejos de atenção, eu conseguia captar algumas frases como: boa escolha, mulher... Ou: o cara é famoso e cutuca a pele de homem e mulher da high... Até que enfim deste uma dentro, hein?
A atendente disse o meu nome e entrei, com ela a tiracolo.
O médico falou:
— O que a traz aqui hoje, minha amiga?
Do meu jeito informal, já estava me aprontando pra fazer uma gracinha pra descontrair, quando a louca respondeu:
— Ah! Doutor. Minha amiga quer fazer algo pra tirar essa cor pink do rosto dela. Quando ela ri, fica vermelho vivo e não pega bem pra idade dela, né?
Senti o olhar do médico em cima de mim, mas eu estava mesmo era com os olhos grudados na jugular da minha amiga.
O médico me colocou debaixo de uma lupa genial, com uma luz detestável. Examinou e deu o diagnóstico:
— Bem, a coloração está normal. Aliás, está excelente. Sua pele é muito sensível e bem nutrida. Como se fosse pele de neném.
Enfim, deu os conselhos que sempre ouvi e segui, elogiando minha pele.
Ato seguinte, chegou a vez da minha amiga. O médico leu a ficha com os dados dela, olhou-a dentro dos olhos e perguntou:
— Agora a senhora... O que me conta?
E começou a minha diversão. As cortinas se abriram para que eu assistisse A Vida como ela é, de Nélson Rodrigues.
Minha amiga ficou vermelha como um tomate. E muda.
Ele sorriu e esperou.
Quase de olhos fechados, ela desfiou suas queixas. Ela estava disposta a mostrar cada defeitinho novo que estava observando através do maquiavélico e ex-amigo espelho do quarto dela.
Ele observou in loco cada uma das queixas, com a famosa luz de 200w e a mesma lupa.
E começou o diagnóstico. E começou a diversão ao ver a reação de minha amiguinha ouvindo o médico.
— As pintinhas são sinais do Sol, por todo o Sol que já tomou na vida. Com a idade [tóinnn!!!] elas vão aparecendo, cada vez mais numerosas. Vai precisar de um protetor solar pra sair de casa pela manhã, mesmo sem ir a praia. Para dirigir inclusive. Braços e pernas; rosto e pescoço.
[ela ficou branca. Era a primeira vez que falavam da IDADE dela. Eu estava como o Jô Soares diz: por fora, apática; mas por dentro, gargalhando]
— Mas eu gosto de praia...
— Evite. Só de 6h as 10h da manhã, sob proteção máxima, guardasol, óculos e chapéu. Bronzear-se, nunca mais.
[eu já estava ficando vermelha de tanto prender o riso. A turma dela só chega na praia as 11h e eu não lembro de ter visto a PRINCESA sem estar bronzeadérrima]
— Ahmmm!... E os pontinhos azuis?
— São pequenos vasos que não suportam a pressão do corpo sobre os saltos altos. Evite. Use sapatos com solado anabela ou baixos, de preferência. Compre uma meia elástica, Kendall, para quando tiver que usar saltos altos.
[não consegui ficar em silêncio. Emendei o início do riso com uma tosse pra disfarçar. Meias Kendall??? Naquela ali??? Como ela iria sobreviver sem as preciosas sandálias? Comecei a pensar em como sair daquela sala, pois a gargalhada explodiria a qualquer momento]
— Sei... Meias Kendall... E as bolinhas na...
— Isto é normal. Reflexo do calor. Para evitá-las use mais saias que calças. Evite o jeans e as calcinhas de lycra. As de algodão puro são as melhores... E folgadas.
[baixei a cabeça e comecei a me sacudir, rindo. Não conseguia parar de imaginar a PRINCESA com as calcinhas que ela comprava pra mãe dela – enormes na cintura e de florzinhas cor de rosa... Lágrimas começaram a rolar no meu rosto]
— Hã?!?
— Quanto as olheiras são de família. Não há muito o que fazer. Use esse creme a noite, antes de dormir, e procure não ir deitar tarde. Alimentação leve, com muita fruta e verdura, pouca carne e muito peixe. Nada de tabaco, nem álcool... Nem café.
[Não aguentei mais. Acabei assustando o médico. Cai numa estrondosa gargalhada. Pedi licença e sai do consultório, deixando-a sozinha com ele]
Alguns minutos depois, a porta abriu e lá veio ela. RINDO. E lá fui eu recomeçar a gargalhar. Pegamos o carro e cada uma cuidando da sua risada. Nada de conversa.
Tínhamos combinado de, na saída do consultório, irmos almoçar. Eu ainda estava recuperando o fôlego, pois RIR demais cansa. Quando ela pede o prato e uma porção enorme de batata-frita de entrada.
Ao notar o meu olhar, ela disse:
— Ele mandou comer verdura, não foi?
Sem conseguir aguentar, retruquei e, em seguida, liberei uma altíssima gargalhada:
— Só na tua terra que batata é verde...
§§§§§ ***** §§§§§
Alguns dias depois, ela me ligou. Ainda com a entonação risonha, ela me disse:
— Eu sou uma idiota. Eu deveria ter dito pro médico que eu trabalho muito e passo a maioria do meu dia escrevendo e lendo, ate as 2h da manhã, né?
— É, teria sido mais justo. Mas tu és muito lesa. A tua cara quando ele falou que tinhas que parar de beber e fumar, foi cômica. E o café?
— Ele é doido, isso sim! – ela disse irritada.
— Quer um conselho?
— Manda.
— É verdade que trabalhas muito, mas podias dar uma maneirada nas saidas boêmicas com os teus amigos... E vai por mim, usa as sandálias altas nas saídas; no dia a dia, segue o conselho do médico. Vais te sentir melhor.
— Nem fu... Eu não vou usar meias Kendall.
— Realmente. Até porque se estiveres usando na hora H, vão acabar rasgando as ditas.
E explodimos na gargalhada.
— Fala sério, mulher! Você consegue me imaginar de calcinha de algodão e folgada?
E eu continuei gargalhando.
— O doido quer que eu fique barata branca, pô!
— Alooo! Favor não mexer com a família, ok?
— Tá bom, mas... PQP, mulher, eu entrei naquele consultório me sentindo uma NINFETA e sai como se estivesse com OITENTA.
— Faz assim: troca a luz do teu abajur do quarto. É disso que tu precisas. Um abajur com luz de 15 w... Ah, é claro, um namorado que use óculos... Entendeu?
— Quase... Pra que eu vou precisar de óculos de macho a meia luz?
— Dããã! Tu és lenta, hein? Ainda bem que a lei protege os loucos de todos os gêneros. Prestenssaummmm, cérebro de ameba!!... Troca o espelho com aquele do quarto da tua filha. Espelho menor faz milagre e não mostra muita coisa... hmm!... Pra CURUBA da bunda tem uma solução caseira que vou te passar por e-mail. É tiro e queda.
— Minha bunda vai cair??
E toma gargalhadas.
— As bolotas pretas não tem jeito, que nem as olheiras... E arruma um namorado com óculos pr'o teste final. Ele a cada dia vai te achar mais linda. Quando quiseres ficar FATAL, tira os óculos da cara dele e... bom, APROVEITA!
— E o que eu faço com o abajur?
Minha resposta vai ser censurada neste espaço. Use a imaginação que vais acertar na alvo. Lógico que seguida de uma gargalhada estrondosa.
Ao final disse a ela algo que acredito piamente:
No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que és,
e outras que vão te odiar pelo mesmo motivo.
Acostume-se!
 
 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Tartaruga No Poste




TARTARUGA NO POSTE






Enquanto suturava um ferimento na mão de um velho gari (cortada por um caco de vidro indevidamente jogado no lixo), o médico e o paciente começaram a conversar sobre o país, o governo e, fatalmente, sobre o Lula.
O velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe, o Lula é como uma tartaruga em cima do poste...
Sem saber o que o gari quis dizer, o médico perguntou o que significava uma tartaruga num poste.
E o gari respondeu:
- É quando o senhor vai indo por uma estradinha, vê um poste e lá em cima tem uma tartaruga tentando se equilibrar. Isso é uma tartaruga num poste.
Diante da cara de interrogação do médico, o velho acrescentou:
- Você não entende como ela chegou lá;
- Você não acredita que ela esteja lá;
- Você sabe que ela não subiu lá sozinha;
- Você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
- Você sabe que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
- Você não entende porque a colocaram lá;
Então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá, e providenciar para que nunca mais suba, pois lá em cima definitivamente não é o seu lugar.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ledo Engano

 
LEDO ENGANO






por Hilda Regina Medeiros (*)











Saudade é um sentimento competente...
Talvez o mais competente de todos.
O Amor se instala, se realiza, se aprisiona e se desmaterializa.
A Amizade, idem... mas sem muita pretensão de TER, apenas SER.
O Ódio é avassalador, mas precisa de eco para sobreviver...
A Saudade não... e por isso maltrata!
Sentir a ausência de algo ou de alguém é fácil e um ato corriqueiro,
Mas não é Saudade...
Saudade é sentir antes de ver, viver antes de nascer...
Saudade é a fênix da vida.
Quando se sabe que nada mais se poderá fazer, ela mostra que resta sentir...
Quando se pensa que já se esgotou tudo o que se pode sentir, ei-la...
Enfim, quando se acredita que nada mais fará a dor aumentar, ela faz a lágrima escorrer...
É... Saudade é isso!
Saudade de mim... De ti... De nós...
Até os nós da saudade são mais belos, mais cegos, mais apertados e mais... Mais!
A saudade pode parecer para um observador desatento
Como uma grave ameaça a própria felicidade...
Ledo engano... É o contrário!
Saudade é apenas um jeito da alma mostrar ao corpo
Que viveu...
Que sorriu...
Que sofreu...
Que lutou...
Que quedou...
Mas, principalmente,
Que o AMOR venceu!

 
*Hilda Regina Medeiros, Advogada, Belém, Pará, Amazônia, Brasil. Escrito em Dezembro/2007.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Paradoxo do Nosso Tempo

PARADOXO DO NOSSO TEMPO


Nós bebemos demais, gastamos sem critérios.

Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e raramente estamos com Deus.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente.

Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos a nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos a Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.

Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.

Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos cada vez menos.

Estamos na era do "fast-food" e da digestão lenta; do homem grande, de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.

Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.

Uma era que leva essa mensagem a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar "delete".

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão aqui para sempre.

Lembre-se de dar um abraço carinhoso em seus pais, num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer.

Lembre-se de dizer "eu te amo" a sua companheira(o) e as pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, se ame... se ame muito.

Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro.

Por isso, valorize sua família e as pessoas que estão ao seu lado, sempre.

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