Arquivos de Debates

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tiririca: sobre política, palhaçada e analfabetismo

TIRIRICA: SOBRE POLÍTICA, PALHAÇADA E ANALFABETISMO
por  Eduardo Cunha (*), em  5/Outubro/2010




O palhaço Tiririca, eleito com mais de um milhão de votos e tendo como slogan as frases: "Vote Tiririca, pior que tá, não fica" e "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto", atualmente teve sua candidatura contestada pelo MPE/SP segundo o argumento, levantado primeiramente pela Revista Época, de que faltaria ao Deputado condição de elegibilidade.
Confesso que não entendi muito bem se o candidato seria inelegível por conta de ser analfabeto ou por ser palhaço???? Pelo que me consta parece ser regra que os candidatos sejam ou  analfabetos ou palhaços, quando não, ambos.
Palhaços são tão comuns nas campanhas eleitorais que o horário eleitoral gratuito invariavelmente nos faz rir mais que os programas que se destinam a este propósito. Fico esperando as eleições iniciarem para descobrir os novos personagens humoristas que nos brindarão com suas atuações cômicas geniais dignas de Chaplin e Mazzaropi.
Quem diria, por exemplo, que candidatos tão carrancudos e linha-dura como a Dilma Rousseff teriam uma veia cômica tão forte. Que Didi, Casseta e Planeta, CQC que nada!!! Atualmente nada me fez rir mais que a dama de ferro dizendo pela TV que todas as doações de campanha do PT são registradas.
Política e palhaçada estão tão ligadas quanto as sobrancelhas da Malu Mader.
Como não lembrar então do bizarro Enéas Carneiro, Deputado Federal mais votado da história brasileira, e de seus planos armagedônicos mirabolantes de construção da primeira bomba atômica genuinamente brasileira. Digam se precisamos de desenhos animados para nos fazer rir, quando temos um ratinho "Cérebro" no horário eleitoral, com seus planos de conquistar o mundo???
Para que ir ao circo então, rir da pilhéria dos chimpanzés se o nosso político símio, o macaco Tião, com suas macaquices nos mata de tanto rir, arrancando mais de 400 mil votos de outros tantos palhaços????
Definitivamente, como disse Charles de Gaulle "O Brasil não é um país sério". Talvez por isso o STF não tenha  proibido o humor na campanha. Ora, como ficariam as eleições sem estes comediantes?
Analfabetos então, nem se o diga, são tantos que já perdi a conta. Não entendo o espanto em ter um Deputado Federal analfabeto quando os jornais de vários Estados há poucos dias noticiavam que as eleições de 2010 atrasariam em razão da dificuldade encontrada pelos analfabetos em manusear as urnas eletrônicas. Só no Piauí estes eleitores somavam 40% dos votos, isto sem contar outras unidades da Federação onde este índice é ainda maior, como  o Acre, Maranhão e Alagoas. Segundo o TSE ao todo são  900.898 eleitores nesta condição, contando os analfabetos funcionais. Ora, não são esses os nossos pares?????
É justamente por isso que tal qual a palhaçada sempre achei que a parca escolaridade fosse mérito e não demérito em matéria de política. Pelo menos foi o que o Presidente Lula demonstrou em todos esses anos de vida política, chegando a ser eleito pela revista time um dos 25 líderes mais um influentes do mundo e o homem do ano pelos jornais Le Monde e El Pais, sempre a se vangloriar de sua condição de semi-analfabeto, operário, de homem de nove dedos, etc. Por que então agora falar-se no grau de escolaridade do Tiririca?
Se não fosse assim como outras "celebridades" receberiam tantos votos como os jogadores Romário, e Bebeto, os atores Myrian Rios Sterpan Nercessian e o apresentador Wagner Montes?? E não me venham dizer que o baixinho Romário é letrado, pois pelo jeito, este não sabe assinar nem o próprio nome nos cheques para o pagamento de suas pensões alimentícias. Qual a diferença então em termos no Congresso mulheres-melão e mulheres-pera, se a casa já é composta de tantos homens-laranja???
De mais a mais, para que o palhaço Tiririca precisa saber tanto, se estamos acostumados a ouvir da boca de nossos representantes, quando pegos de calças curtas, que estes não sabem de nada? O Lula não sabia nada do Zè Dirceu, a Dilma não sabia nada da Erenice e por ai vai...
De qualquer maneira, se o palhaço tem de ser sabatinado pelo TRE/SP para sustentar sua candidatura, proponho que os temas sejam consentâneos com a vida pública que este terá daqui para frente. Deve o Deputado, portanto, saber as rudimentares operações de álgebra para poder contar os dólares na cueca que receberá do governo como mensalão e ler e escrever em uma agenda, para melhor registro, as propinas que receberá dos banqueiros, construtoras,etc. Quando este vier a aprender o que faz de fato um deputado. (se já não o sabe, pois tem demonstrado que de burro não tem nada)
Burro ou esperto, com uma coisa temos que concordar com o palhaço: pior do que já está não fica.......


(*) Eduardo Cunha, Advogado - Belém do Pará, Brasil.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Nação em Frangalhos...

NAÇÃO EM FRANGALHOS...
por Jarbas Passarinho (*), em 25/Julho/2006.






A minha geração viveu graves turbulências políticas.

Nunca a envergonhar o Brasil, como hoje.

Dividimo-nos, mas não fomos cafajestes.

O tenentismo combateu uma sociedade política injusta, o voto de cabresto, a apuração a ponta de lápis. 

Éramos um país sem cultura política, dominado pelos "coronéis", grão-senhores dos currais eleitorais numa depravação da democracia representativa.

Artur Bernardes governou quatro anos apoiado no estado de sítio. 

Teve problemas com os jovens militares. 

Obrigou a domicílio forçado em Clevelândia do Norte, no Oiapoque, região dominada pela malária mortal, seus adversários civis mais respeitáveis, a começar por J. J. Seabra.

Em 1924, iniciou-se a epopéia da grande marcha da coluna Miguel Costa-Luís Carlos Prestes.

Terminou com o exílio na Bolívia, mas dela nascia a semente da libertação do opróbrio.

Esgotada a submissão ao poder corrompido e corruptor, eclodiu a Revolução de 1930. 

Ainda muito longe do pregado na Aliança Liberal, terminou a imoralidade do voto de cabresto dando lugar ao voto secreto e à moralização da administração.

Infelizmente, conhecemos a ditadura, que medrara irresistível na América hispânica, com seus ditadores generais fardados se revezando no poder com golpes de Estado sucessivos.

Tivemos, então, a gloriosa Revolução de 1932, sustentada só por São Paulo, abandonado com desonra pelos que lhe tinham assegurado o apoio.

Sua derrota, porém, impôs a volta à democracia, ainda que efêmera, com a Constituição de 1934. 

Passamos a viver a influência desastrosa da ideologia. 

Em 1935, os comunistas, sob o comando de Prestes e obedientes às ordens do Komintern, tentaram fazer-nos satélites de Moscou.

O autogolpe de 1937, de Getúlio Vargas, foi dado sob o pretexto de impedir o crescimento do comunismo.

Enviamos uma divisão de Infantaria para ajudar a vencer pelas armas os ditadores mais cruéis que a Europa contemporânea conhecera. 

A conseqüência natural foi também derrubar do poder o ditador Getúlio Vargas, em 1945, e promulgar a Constituição de 1946. Tivemos o suicídio de um presidente, produto do ódio político, mas em toda a República não prosperou a corrupção como política de governo. 

No mundo pós-2ª Guerra Mundial, o comunismo se expandira. 

Dominara a China, comandara a descolonização de parte da Ásia e de quase toda a África e chegara ao Caribe, em Cuba, usando a tática ensinada na guerra revolucionária.

Sem apoio do povo, a luta armada comunista foi vencida no Brasil. 

Ressentidos, vencidos dizem que foram derrotados pela tortura, que aqui não era política de Estado, mas era das ditaduras comunistas que eles defendiam. 

A paixão ideológica ceifara vidas de ambos os lados. Pela primeira vez a farda, em 1964, se apoderou do poder político, num regime autoritário, mas não totalitário. 

Os cinco generais que nos presidiram foram incorruptíveis e modernizaram o País. 

Escrevemos uma Constituição que em certas normas é das mais avançadas do mundo.

Claudicamos ao acolher medidas provisórias num regime presidencialista.

E a esquerda, de vários matizes, chegou ao governo, apoiada nas urnas pelos políticos que, antes, se associaram aos militares que a combateram. 

A despeito de inegáveis atos de retaliação, permanecem fiéis ao poder civil, preferindo confiar no julgamento da História, quando ela, livre das paixões deformadoras do caráter das pessoas, julgar em definitivo o período sombrio da contra-insurreição, o saldo trágico dos cadáveres dos revolucionários e dos que, ao iniciar a carreira castrense, no seu juramento se comprometeram a defender as instituições e a Pátria com o sacrifício da própria vida.

Mas que temos como resultado, após duas décadas do poder civil, síntese de todos os poderes?

Um Executivo que, minoritário na Câmara dos Deputados (91do PT ante 422 das outras legendas), se tornou maioria corrompendo os vendilhões de votos, os mensaleiros. 

Um Executivo, que, usando as medidas provisórias, legisla mais que o Congresso.

Um Executivo que trocou a preocupação social da administração por um modelo assistencialista que, em parte, estimula o desemprego e era chamado de esmola quando oposicionista quem hoje é presidente da República.

Um Executivo, que se gaba de ter sido o melhor desde Tomé de Souza, em cuja gestão o PIB só cresceu um pouco mais que o do Haiti, em 2005.

Um Executivo que se protege da corrupção dizendo que nada sabe e nada vê e se esquece de todas as promessas de campanha.

De outro lado, um Parlamento que, em boa parte, se vendeu a Delúbio Soares e Marcos Valério e, como se fosse pouco, no qual 105 dos parlamentares, agora, se igualam aos ladrões despudorados, recebendo, em dinheiro vivo, para fugir de provas, ou em conta corrente própria ou de assessores, a miserável propina derivada de emendas ao orçamento para compras superfaturadas de ambulâncias. 

Os Marcolas e Fernandinhos Beira-Mar, execráveis figuras do narcotráfico, são menos repugnantes que os que furtam o dinheiro público e entregam aos prefeitos (iguais a eles) ambulâncias desprovidas, muitas vezes, de acessórios indispensáveis para salvar a vida de pobres enfermos. 

O retrato moral do Parlamento (principalmente da Câmara, depois da desautorização do Conselho de Ética) é objeto do conceito que lhe faz o presidente da CPI dos chamados popularmente sanguessugas:

"O Parlamento aceita com naturalidade os desvios de conduta de seus pares." 

Pior: 

"Os fatos colocam sob suspeita não só 10%, mas a integridade do Congresso."

Nunca chegamos a um nível tão baixo e repugnante do Poder Legislativo, no qual há exceções que nos merecem admiração e não merecem tão asquerosas companhias.

Sob um bom governo, a corrupção é inevitável, mas sob um mau governo é imperdoável a conivência. 


(*) Jarbas Passarinho, Coronel do Exército, Ex-Superintendente da Petrobrás na Região Amazônica, Ex-Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia, Ex-Ministro do Trabalho e Previdência Social, Ex-Ministro da Educação e Cultura, Ex-Ministro da Previdência e Assistência Social, Ex-Ministro de Estado da Justiça, Senador e Governador do Estado do Pará. Nasceu no Acre, foi criado no Pará e, atualmente, com 91 anos, reside no Distrito Federal.
Texto publicado no Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO em 25/07/2006.

sábado, 22 de janeiro de 2011

VERGONHA DE QUÊ?

VERGONHA DE QUÊ?

por Hilda Regina Medeiros (*), 22/Janeiro/2011





Em 17 de dezembro de 1914, no Salão do Senado Federal, Rui Barbosa declarou:

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

Ao fazer este desabafo, Rui Barbosa estava defendendo o requerimento sobre o CASO SATÉLITE – uma chacina de presos – que ia de encontro a impunidade dos assassinos confessos, depois de quase quatro anos do fato criminoso.


Seria Rui Barbosa um profeta?


O inflamado discurso de outrora foi tão-somente uma observação do cotidiano que presenciava. Entretanto, ainda hoje, decorrido quase um século, a impunidade no Brasil perdura.


Onde está a novidade?


Trata-se apenas do reflexo da continuidade do triunfo das nulidades, da prosperidade da desonra, do crescimento da injustiça e do agigantamento do poder nas mãos de alguns poucos que – por deterem a trajetória da vida cotidiana ou profissional – não identificam no ato a responsabilidade que possuem. O que existe é uma inversão de valores. Hoje, o princípio subjaz nos abusados casos de corrupção no Congresso Nacional. Contudo, resta uma indagação: não estaria também entranhado em outros setores da vida nacional?


Poder nas mãos dos maus.


Será mesmo que a maldade é a delimitadora das ações dos poderosos? Não creio muito nisso, infelizmente. É simples demais. Acredito que quando homens públicos procedem na contramão da honra, agem como quem acredita que não é o cachorro que abana o rabo, mas o rabo que abana o cachorro. Conheço uma mulher de caráter excepcional que costuma dizer: a verdade está geralmente no meio do caminho.


Faça o que eu digo ou quero, não o que eu faço.


Na questão político-partidária, felizmente temos instrumentos para reciclar e fazer as mudanças que o poder do voto nos garante para extirpar esses “apêndices”, antes que supurem de vez. Entretanto, a cicatriz que fica é danosa para a sociedade, visto que – por causa de suas posturas infames – causam nas pessoas de bem, um desânimo crônico que aparecem por causa da suscetibilidade. Estamos carentes de bons exemplos. Conheço gente que dentro da própria casa é de um cuidado extremo com a limpeza, em compensação, joga lixo na rua e quando falo, afirmam: “temos que garantir trabalho para os garis”. Pra variar, eu rebato na hora: “isso é hipocrisia pura”.


Suscetibidade é a expressão de despeito ou de mágoas na pessoa que se julga ofendida pelo que outrem lhe diz. Puro melindre.


Verdade se diga: o mau exemplo é contagioso. Ronaldo – dito O FENÔMENO – pra ganhar com publicidade, esqueceu que era atleta e se tornou garoto-propaganda de cerveja. Convenhamos, é lícito, mas totalmente amoral. Em períodos eleitorais, eu sempre tenho motivos pra gargalhar, já que chorar não vai mudar o quadro. Vemos candidatos que passaram temporadas apontando o defeito um do outro e – como por encanto – basta uma reviravolta eleitoreira pra que sejam ouvidas declarações de amor de um lado a outro.


E, agora, o PEDIDO DE APOSENTADORIA do Senador da República Álvaro Dias, do PSDB/PR. Pedido, diga-se de passagem, TOTALMENTE LEGAL, mas de uma AMORALIDADE sem precedentes. Justamente durante o recesso legislativo, surge uma voz cálida, sussurrante no TWITTER... Voz composta de letras que vão tomando corpo, espaço e atingem o ápice da sonoridade muda da Rede Social. O movimento ENSURDECEDOR calou seus seguidores fiéis - sim, fidelíssimos.


O que dá rir, dá pra chorar. É só questão de peso e medida.


No Brasil agora é assim. SERVIDOR PÚBLICO vira DEUS ou SANTO ou PASTOR DE OVELHAS ou POP STAR. Os SEGUIDORES/FÃS se perdem na exegese básica da forma e do conteúdo. Esquecem que o que está AVILTANDO os ELEITORES TUCANOS não é o cometimento de alguma indelicadeza, mas sim a conduta AMORAL de um SERVIDOR PÚBLICO que - até pouco tempo atrás - recebeu prêmio no Congresso Nacional por ações de relevante valor social.


Não estou aqui para TAPAR O SOL COM A PENEIRA DA INDULGÊNCIA. Quem vem a público arvorar-se a recebimento de aplausos, elogios, prêmios e honrarias - como o próprio Luís Inácio Lula da Silva vive fazendo - não pode, EM HIPÓTESE ALGUMA, pretender que se atenue os efeitos da gravidade de uma FALTA. Sim, FALTA, visto que não houve o cometimento de um CRIME - que é infringir dispositivo legal.


Quem faz UMA, faz DUAS, faz TRÊS! E, assim, VIRA FREGUÊS!


A conduta do Senador paranaense Álvaro Dias é CENSURÁVEL, INOPORTUNA, AMORAL e INDIGNA para alguém que, em assim atuando, rasgou a própria biografia. Entretanto, ressalto, minha MANIFESTAÇÃO SE PRENDE AO FATO E NÃO A PESSOA DO CIDADÃO ÁLVARO DIAS.


N'um momento onde o Salário Mínimo não chega aos 600 reais, onde os Congressistas aumentaram seus salários e mordomias, onde uma região inteira - em especial a serrana - passa por dificuldades vitais de existência... E assim, NA CALADA DA NOITE, sem holofotes, manchetes, repercussão e propaganda pessoal.


Então, é isso. Vou seguindo pela vida observando o que todo mundo faz. Agora, deixe que diga, que pense, que fale... Deixe isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem? Eu não não estou fazendo nada. Você também! Que ninguém reclame dos meus textos ou da minha opinião. Se quiser expressar a sua, comente o texto ou me prove que estou errada. O bom da internet é isso: aqui não precisa estresse, basta ignorar.


O PAU QUE DÓI EM CHICO, TEM QUE DOER EM FRANCISCO.


Estude. Interesse-se pelos grandes feitos do passado e seus autores. Largue mão desta idiossincrática existência, pois TUDO LHE DIZ RESPEITO. Se realmente acreditas que o que CONSOMEM EM BRASÍLIA não te afeta, é porque a tua IGNORÂNCIA não te permite saber que FAZEM FESTAS COM TEU DINHEIRO, VIAJAM COM A FAMÍLIA COM TEU DINHEIRO, MORAM EM MANSÕES COM TEU DINHEIRO, TEM CARROS IMPORTADOS COM TEU DINHEIRO...


Ahhh Achas que por não recolheres o Imposto de Renda não usam o teu dinheiro? - gargalhadas - No leite que compras, pagas imposto. No pão, idem. Carne, arroz, cerveja, cigarro, ônibus... Enfim, ACORDA! Estás sustentando VAGABUNDO - sinônimo de OCIOSO que nada mais é que o sujeito que nada faz de útil - E A FAMÍLIA E AMIGOS DELE.


Honestidade é virtude sim, contudo é também obrigação de cada um perante si mesmo e o próximo.


Colocar no mesmo texto Rui Barbosa com qualquer senador atual é até um ultraje, mas quem sabe alguém aprenda algo com isto.


Finalizando meu direito constitucional de OPINIÃO, eu digo: antes de ter vergonha de ser um brasileiro honesto, aprenda a captar as ondas básicas das condutas sem-vergonhas que existem por aí, inclusive a que tu mesmo cometes.


Até a próxima.

(*) Hilda Regina Medeiros, advogada - Belém do Pará, Amazônia, Brasil.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

TU ÉS UM EXEMPLO...

TU ÉS UM EXEMPLO...
por Hilda Regina Medeiros (*), em 1º/Maio/2010.

O assunto de maior destaque, na atualidade, é a corrupção. Nunca a máxima popular "todo político é corrupto" esteve tão em voga. Entretanto, se formos analisar caso a caso, veremos que quase todos os seguimentos da nossa sociedade estão representados nas chamadas Casas do Povo, que são o Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais.

Então, resta-nos apurar a nossa análise para que possamos ter a resposta mais acertada sobre o assunto. Adoro fatos vistos e ouvidos. Assim, decidi lembrar alguns casos [ou seriam causos] para exemplificar a questão.

***
CASO UM

Outro dia, na porta do prédio onde resido, estava tendo uma blitz de trânsito. Como eu já estava totalmente encharcada – por causa do temporal que caía – fui passeando pela calçada quase deserta, observando o movimento que a fiscalização estava produzindo.
Aconteceu tudo muito de repente. Um carro parou no meio da rua – na metade do quarteirão – e um rapazola desceu rápido pela porta do motorista, enquanto um senhor de aparência distinta fez o movimento inverso: os motoristas foram trocados em meio ao trânsito. Para piorar, o carro detrás abalroou a traseira do carro deles. Os fiscais e policiais ouviram o barulho e logo foram até lá. Resolvi fazer uma estacionada básica na calçada para ver o que aconteceria.
Nada. Foi isso o que aconteceu. O motorista do carro que bateu, deu ré e seguiu o fluxo do trânsito e – pasmem! – o mesmo se deu com o carro batido. Os policiais não tendo identificado onde aconteceu a infração, voltaram aos seus afazeres e tudo ficou como dantes na terra de Abrantes.
Será que o episódio passaria em brancas nuvens se o motorista do carro batido não estivesse em situação irregular? Isso é corrupção?

***
CASO DOIS

É fato público, em âmbito jurídico, que os serventuários da justiça cobram para prestar o serviço que é inerente a função deles. Poucos são os advogados que se recusam a corroborar com esta prática ilícita. Todos reclamam, mas poucos exercem os seus direitos constitucionais. E os que assim agem, recebem retaliações de todos os lados, inclusive de outros advogados.
Aí eu pergunto: pagar esta ajuda de custo é corrupção?

***
O que é corrupção, afinal? É realmente coisa de político?... Duvido muito.

Corrupto é todo aquele que age com perversão. É aquele que se comporta para auferir vantagem pessoal que, de outra forma ou velocidade, não alcançaria.

Os mais antigos costumam dizer que todo homem tem um preço. Uma incontestável verdade. No entanto, a maioria se vende por coisas materiais, exercendo atividade ou realizando movimentos sociais sem qualquer ética, conduzindo a própria vida e a dos que o rodeia sem qualquer traço moral.

Pessoas assim são dignas do ostracismo; dignas de serem apontadas como um exemplo... Um exemplo a não ser seguido. Todavia, a falta de ética não está afeita só a quem pertence a classe político-partidária ou aqueles que exercem suas funções através de concurso público. É cúmplice de corrupção quem paga a propina, quem se vende para obter lucro financeiro ou para obter elevação de status social — e o que é mais enojante —, também o é aquele que se omite.

Todo mundo reclama da morosidade processual, da alta taxa da nossa carga tributária, da ausência de requisitos mínimos para ter uma vida digna e muito mais. Reclamar é fácil e apontar o dedo para o defeito alheio é muito mais. Então, onde reside o problema real?

A grande maioria da população compra artigo contrabandeado, inclusive gente de maior poder monetário. A ideologia – ou seria utopia social? – da política [discussão de temas para melhorar a vida de todos] virou mercado público, uma vez que quem deveria representar o povo só quer saber do que vai lucrar se der seu apoio a quaisquer medidas que estejam em pauta. Já se tornou lugar comum ver alguém pagar propina para não perder algo e – o que é mais repugnante – ver o pagador alardear o fato como se tivesse acabado de fazer algo de relevante valor.

A Constituição Federal garante a todos os direitos que chamamos fundamentais, no entanto, poucos cumprem com os seus deveres. Não adianta dizer que pobre é um coitado ou que rico pode tudo. A verdade não é bem essa. Enquanto nosso povo não aprender que voto é um direito sagrado e que não deve ser vendido por qualquer emprego, dentadura, bolsa ou cesta básica, a corrupção continuará ganhando terreno em todos os setores da nossa sociedade.

Existe um ditado popular que diz que sem corrupção não se vive. No entanto, existe outro que confirma o óbvio: quem não tem moral para dar bom exemplo, não deve sequer abrir a boca para falar.

A simples idéia de o povo brasileiro ser identificado por ter memória curta, já demonstra o nosso grau de corrupção. Afinal, se reelegemos pessoas que estão vinculadas a atos desonrosos – comprovados ou não –, é sinal bastante claro de que aceitamos condutas imorais e amorais.

Entrementes, como condenar quem não defende os cofres públicos, se nós não fazemos isso a cada eleição? Como exigir conduta ética da classe partidária, se não nos comprometemos com a cidadania e a defesa do meio ambiente?

No apagar das luzes, o Congresso nacional finge ou faz de conta que está levando a sério a chamada CAMPANHA FICHA LIMPA. O mais interessante é que a matéria é levada em tom de piada pelos brasileiros. Isto é, ao invés de lutarmos para afastar verdadeiros criminosos sociais, as pesquisas de opinião nos dizem que 80% do povo aprovam o que temos vivido em cada recanto desse país – no que tange a insegurança, a falta de instrução de qualidade, o desregramento da nossa tradição como povo ordeiro e respeitoso.

Eu sou de um tempo onde quando alguém adoecia, procurava-se um médico especialista; se era para aprender, os pais se esforçavam para obter o melhor profissional para instruir os filhos. Ninguém quer ser tratado por acadêmico de Medicina, nem ser defendido por recém formado em Direito e, muito menos, arrisca colocar a construção de um prédio nas mãos de um administrador.

Alguma coisa foi perdida nessa caminhada que ora fazemos. Será que não é chegada a hora de parar de camuflar a verdade? Será que já não é tempo de dizer BASTA e agir com decência em cada setor de nossas vidas? Quando foi que pais passaram a matar filhos? Quem esqueceu de ensinar que os mais jovens devem respeito aos idosos? Quando foi que escola passou a ser local de futilidade ao invés de ensino? Quem foi que disse que professor tem que se preocupar em fazer greve ao invés de repassar cultura e instrução aos seus alunos?

E neste aspecto eu sou radical: nunca vi nenhum professor rico. Portanto, quem não estiver satisfeito com o que ganha, estude e faça novo concurso público. Agora, se a questão é de desvalorização da profissão, sou a primeira a defender a causa, pois sou do tempo em que existiam mestres e não reles repassadores de informações.


Existia uma campanha na televisão que falava sobre o bom exemplo. Lembrei disso hoje, pois há 16 anos perdíamos para os interesses financeiros da Fórmula 1 o piloto tricampeão mundial Ayrton Senna da Silva.

Perceba que eu não estou falando de qualquer pessoa. Estou citando um herói, que como todos os heróis, é um exemplo a ser seguido. Perceba que ele era aguerrido, mas nunca foi guerrilheiro; nunca sequestrou ninguém, nunca se utilizou da reputação de alguém para conseguir facilidades. Ele tinha um sonho e foi atrás. Mesmo depois de morto, deixou no ar uma preocupação com o futuro deste país – as crianças realmente são isso –, sendo atendido em seu desejo pela família, mais especialmente pela irmã.

Sinceramente, eu já cansei de ver tanta hipocrisia. Cansei de ver pseudo-autoridades se vestindo de donos da ética e da moral, sendo eles próprios mercenários que só pensam em si mesmos e em seus interesses espúrios. Chega. Está na hora de – verdadeiramente – fazer uma faxina nos palácios e casarões importantes do Brasil, seja em nível federal, estadual, municipal e mesmo social.

Quero ser representada por quem genuinamente se preocupa com a resolução/melhoria dos problemas sociais do povo e não por apedeutas que so se absorvem com as mordomias que o cargo/função venha a dar. Cansei de passar vergonha. Cansei de gente demagoga que só serve para atrofiar meu sentido político. Verniz eu só aceito em materiais de revestimento.



Destarte, eu pergunto: tu afirmarias, sem qualquer dúvida, que és um bom exemplo para alguém?

Eu mesma te respondo: claro que és!

Contudo, gostaria que tu me informasses se és um exemplo...



... A SER SEGUIDO?

(*) Hilda Regina Medeiros, advogada - Belém do Pará, Amazônia, Brasil.

E tudo continua tão atual!... :-(
Acorda, povo brasileiro!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ser Republicano

SER REPUBLICANO
por José Murilo de Carvalho (*)






Nenhum homem nesta terra é repúblico, nem vela ou trata do bem comum, senão cada um do bem particular
Simão de Vasconcelos, 1663





Ser republicano é crer na igualdade civil de todos, sem distinção de qualquer natureza.
É rejeitar hierarquias e privilégios.
É não perguntar: “Você sabe com quem está falando?” É responder: “Quem você pensa que é?”
É crer na lei como garantia da liberdade.
É saber que o Estado não é uma extensão da família, um clube de amigos, um grupo de companheiros.
É repudiar práticas patrimonialistas, clientelistas, familistas, paternalistas, nepotistas, corporativistas.
É acreditar que o Estado não tem dinheiro, que ele apenas administra o dinheiro pago pelo contribuinte.
É saber que quem rouba dinheiro público é ladrão do dinheiro de todos.
É considerar que a administração eficiente e transparente do dinheiro público é dever do Estado e direito seu.
É não praticar nem solicitar jeitinhos, empenhos, pistolões, favores, proteções.
Ser republicano, já dizia há 346 anos o jesuíta Simão de Vasconcelos, É NÃO SER BRASILEIRO.


(*) JOSÉ MURILO DE CARVALHO é historiador.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...